Marcos Gouvea
Marcos Gouvea
De quem é o Londrina?
Agora, no frigir dos ovos da crise do Londrina Esporte Clube, o óbvio começa a aparecer diante de todos. Se Londrina quiser ter um time de futebol forte, saneado e com as condições ideais de trabalho, tem que partir para a construção de uma base sólida, tanto estrutural como financeira. Isso tudo exige um trabalho profissional que não permite a presença de amadores e aventureiros posando de dirigentes e um cronograma de longo prazo.
A crise financeira gerada pelo problema das ações trabalhistas não pode ser empurrada com a barriga. Terá que ser resolvida, de uma forma ou de outra. Resta agora colocar o ovo em pé, descobrir a fórmula para pagar isso tudo. Naturalmente a assessoria jurídica da Sociedade Amigos do Londrina já está debruçada sobre o assunto para examinar as possibilidades.
O exame caso a caso pode desqualificar muitas destas ações e as legítimas podem ter valores diminuídos através de acordos. O mais difícil será fazer caixa para honrar os débitos. Aí a coisa caminha por aquilo que foi colocado pelo ex-presidente Murilo Zamboni. A cidade, com todas as suas instituições, é que vai decidir se quer ou não ter futebol profissional.
É fundamental esclarecer de vez quem é quem nesta história. O Londrina Esporte Clube será dirigido por quem? Qual o papel da Sociedade Amigos do Londrina? O que diz, a esse respeito, o estatuto do Londrina? Neste aspecto, o embate jurídico sobre as ações trabalhistas deve clarear o quadro.
Uma coisa que tem estado afastado das discussões é exatamente o Londrina como clube associativo: qual o pensamento de seus associados, como está sua sede, seu patrimônio? Os associados do Londrina querem continuar com o futebol? Ou o Alviceleste realmente extrapolou o âmbito do clube e passou a ser patrimônio da cidade de Londrina, da região?
Com honra e sem drama
Não entendo como a mídia esportiva erra tanto ao tratar esta questão de ascenso e descenso no futebol brasileiro. A queda para a Série B é vista como a morte do clube, como a tragédia irreparável. Ora, a Série B deste ano se revela mais forte que nunca, com bons jogos, bom afluxo de público e renda, e uma inédita cobertura televisiva. A imprensa esportiva, muito arrogante e cheia de vícios antigos, tem hoje a obrigação de ampliar a cobertura da Série B e fazê-la com naturalidade e não como esse dramalhão todo. É uma questão de inteligência pela boa opção de mercado e de respeito às torcidas daqueles clubes que estão e estarão na B em 98. Antes que me acusem de estar prevaricando, e legislando em causa do Timão, digo antes do jogo com o Flu, que não acredito na queda do Corinthians em campo.
Tenho certeza de uma coisa: se o Fluminense não tivesse movimentado todas aquelas forças poderosas para não cair, e tivesse tido a dignidade de disputar a B este ano, estaria muito melhor. Com honra e sem drama.





