Marcos Gouvea
Está inaugurada a temporada de caça às bruxas e aos bodes expiatórios para a derrota e desclassificação imprevista do Londrina. Vão achar muitos e ao mesmo tempo nenhum. Como disse JFK, a derrota é órfã. Muita conversa fiada vai rolar, mas Inês já está morta. O que todos se perguntavam, ontem, era o que acontece agora?
Penso que a Sociedade Amigos do Londrina - e o Londrina vai precisar dos amigos nesta hora - deve continuar seu trabalho. Só que o projeto devia ser mais pé-no-chão, menos imediatista. A política de subir a qualquer custo neste ano, com a contratação de medalhões caros, provou estar errada. Em nenhum momento a equipe conseguiu mostrar um bom futebol, que conquistasse o torcedor.
Com todo o respeito aos profissionais contratados pelo Londrina, a impressão que ficou é que o Tubarão foi neste playoff um time duro, sem inspiração, sem vibração e sem o brilho que a torcida esperava. O jovem time do Náutico, ao contrário, mostrou mais vontade, mais amor à camisa. Os pernambucanos, muito subestimados, chegavam antes na bola, ganhavam as divididas.
Os dirigentes do Londrina devem, daqui para a frente, inverter a equação. Trabalhar na montagem de um time de qualidade, jovem, que tenha prazer em jogar bola. Os resultados, tanto no Campeonato Paranaense como na Série B do ano que vem, deverão acontecer como consequência. O técnico deve ter tempo para realizar o seu trabalho. E um time de futebol não pode trabalhar sob a pressão que o Londrina sofreu nesta competição. Foi irracional, desde o primeiro amistoso, até anteontem.





