A galera impaciente
O Londrina vive uma momento de calmaria depois da classificação para a segunda fase da Série B do Brasileiro. O técnico José Carlos Serrão trabalha o time para o último jogo da fase, dia 21, domingo, contra o Mogi, lá em Mogi Mirim. Depois vem o mata-mata, rumo ao quadrangular final. O time londrinense tem condições de brigar por uma das duas vagas na Série A, mas a torcida está longe da unanimidade quanto ao potencial da equipe.
O torcedor londrinense (ou o ‘‘espectador londrinense’’) tem uma postura estranha. Fica ali, entre o ódio e o amor, ora vibrando, ora xingando, sempre muito inseguro. O atual time não satisfaz, apesar de ser líder do seu grupo. A recíproca pode ser verdadeira. O time sente a mesma insegurança com uma torcida tão impaciente. Talvez por isso, o Londrina cumpra suas melhores jornadas fora.
Necessário dizer, também, que a crônica esportiva é exageradamente apaixonada, e exerce uma pressão quase insuportável. Que o diga o ex-técnico Sérgio Ramirez.
Mas o que será que a torcida (ou os ‘‘espectadores’’) e a imprensa querem do Londrina? Perdeu uma fora e outra em casa, mas é líder. Não está jogando bem, praticando um belo futebol, isso é verdade. Mas se mostrou competitivo. Não basta, entretanto. A galera quer garantias de que o time fatura uma das vagas para a elite do ano que vem. Mas esse tipo de garantia não existe no futebol. Resta esperar o futuro e viver todas as suas emoções. Com o time jogando bem ou não.
Em tempo: uma vez chegado lá, na Série A, há que permanecer. Para dar vexames como o União São João de Araras deu, quinta contra o Vasco, melhor nem ir.
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A pressão excessiva sobre o Londrina pode ser consequência do atual projeto, muito imediatista. A SAL e o Londrina criaram uma expectativa do tipo ‘‘vencer ou morrer’’, e isso não é bom.
Essa estória de que o Londrina ‘‘só joga debaixo de chicote’’ tem que acabar. Tem que jogar com tranquilidade e de forma racional.
Bom é pensar a longo prazo e a SAL parece estar investindo nesta área, nas chamadas categorias de base. Ainda é necessário conferir esse trabalho, que deve beneficiar o clube e não os dirigentes, como aconteceu nos últimos anos. Que tipo de contratos os garotos irão assinar?
O ‘‘material humano’’ em Londrina é muito bom. Estão nos clubes, na várzea. Com um trabalho sério, profissional, e exclusivamente voltado para o futebol, o Londrina pode ter autosuficiência com a produção de bons jogadores. Neste caso, não precisaria investir um dinheirão como acontece agora, inclusive lançando mão de dinheiro público, o que é, no mínimo, politicamente incorreto.

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