Marcos Gouvea
Valorizando a Série B
Lembram-se do Massacre das Laranjeiras, no ano passado, quando o Atlético venceu o Flu por 3 x 2. Quem levou a pior foi o goleiro Ricardo Pinto. As imagens mostraram até jornalista carioca chutando jogadores do Atlético. O sujeito largou o bloco e partiu pro sururu. Penso que o Fluminense começou a cair ali. E a armação contra o Atlético também.
Na última rodada o Atlético perdeu para o Criciúma, em casa, selando a sorte tricolor. Jogadores do time catarinense chegaram a se confraternizar com a torcida atleticana, que comemorava a desgraça do time carioca. Mal sabia a torcida rubro-negra que a vingança carioca seria terrível.
Com a reportagem da Globo em cima do grampo na casa de Ivens Mendes, o cenário foi montado. Notem que quem grampeou o telefone ficou senhor da situação: pautou a Globo, oferecendo a gravação que comprometia a quem queria. Isto é, o grampeador podia ser seletivo na denúncia.
O que passou meio despercebido, foi que Ivens Mendes, no pouco que falou na época, afirmou que outros clubes, além de Corinthians e Atlético Paranaense, deram contribuição à sua campanha para deputado federal. Citou Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, América Mineiro.
A coisa ficou enrolada no inquérito do STJD. Foi feito de modo a punir apenas o Atlético. O Ivens já estava morto mesmo. As penas a Mario Celso Petraglia e Alberto Dualib não valem muito, pois os clubes têm autonomia para eleger quem quiser. A lei Zico garante. É só botar um advogado para representar o clube junto à CBF e Federação e nada muda. Com o Corinthians ninguém mexe. E ninguém pensou mais em Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, América Mineiro e outros que pudessem ter contribuído para o caixa de campanha de Ivens Mendes.
O imbróglio ficou de um jeito que está difícil de desatar. A virada de mesa do Fluminense vai acontecer? A pena ao Atlético será confirmada, depois da palhaçada no STJD? Para onde Ricardo Teixeira correr, fica ruim.
A melhor solução seria uma investigação séria da corrupção. Chama o Ivens. Ele diz quem entrou na caixinha. Instaurado o inquérito, os acusados são denunciados, indiciados e julgados. Isso num tribunal decente. No fim, ficando provado, quem entrou na caixinha é condenado a disputar a Série B. Que será certamente muito valorizada. Imaginem, a Série B com Atlético Paranaense, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, e quem mais entrou na caixinha do Ivens. Aí, o Flu nem vai querer ir para a Série A.





