Marcos Cruz, a vítima da 'guerra' em Ponta Grossa
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segunda-feira, 29 de abril de 2002
Lúcio Flávio Moura Reportagem Local 
Foram 20 minutos de muita dor e desamparo. À margem do campo, com tíbia e fíbula da perna esquerda fraturadas, uma multidão hostil bem próxima, Marcos Cruz, o jovem atacante do Londrina, descobriu no Estádio Germano Kruger, em Ponta Grossa, o lado cruel do futebol.
O jogador foi atingido por uma entrada considerada por ele desleal do goleiro Wilson, aos 29 minutos do primeiro tempo, na partida em que o LEC obteve sua primeira vitória (2 a 0) fora de casa no Paranaense 2002.
Desde que o jogo começou senti que havia maldade no Ponta Grossa. Os jogadores diziam que não tinham nada a perder e que iriam entrar para quebrar, contou o atacante, enquanto descansava sob os cuidados da mãe, na casa simples onde mora na zona sul de Londrina. Fiquei ainda mais revoltado quando a torcida não queria deixar eu ser socorrido pela ambulância, lembrou.
O médico do Londrina, Jonas Blanco, informou que o atleta deve permanecer fora dos gramados por pelo menos seis meses. Foi uma contusão muito séria, avaliou. Hoje, Marcos Cruz deve passar por uma cirurgia na Santa Casa. Para acelerar a recuperação, o jogador não deverá permanecer com a perna esquerda engessada. Na cirurgia, será colocado uma haste de aço intramedular (por dentro do osso) nos dois ossos quebrados.
Aos 23 anos, Marcos Cruz já pode ser considerado um jogador experiente. Revelado na Portuguesa Londrinense, já foi emprestado para dois clubes paulistas, o Juventus e o Ituano. No momento, era uma das esperanças de gol do técnico Tadeu Martins. É uma pena, porque estava subindo de produção e porque acho que marcaria o gol. Na hora, nem senti. Tentei levantar, mas vi que a perna balançou. Daí fiquei apavorado. Mas já estou mais calmo. Sei que poderia acontecer com qualquer um. É do futebol.


