Marcos comemora 'volta por cima'
São Paulo - Foram 12 anos sem ser campeão paulista, nove sem conquistar um título importante. Período difícil, um dos mais duros da história de um clube de 94 anos. Só quem foi criado na fase áurea e depois roeu o osso na Série B sabe exatamente o tamanho da importância da conquista deste Campeonato Paulista.
E esse alguém é Marcos, um dos maiores ídolos do time. Ele sabe como foi difícil gritar é campeão. ''Está passando um filme na minha cabeça, estou emocionado'', afirmou. Marcos vinha dizendo que se sentia novamente um garoto por ter voltado a jogar. Ontem, aos 34 anos, ele comemorou como se fosse um juvenil. Correu em direção à torcida de braços abertos e peito estufado, cena que lembrou a Libertadores de 2000, quando defendeu pênalti de Marcelinho Carioca. ''Só tenho a agradecer à torcida, pela paciência que teve comigo'', disse, com humildade.
A decisão em si foi fácil demais. O Palmeiras já tinha vencido a Ponte Preta no primeiro jogo por 1 a 0 e seria campeão mesmo perdendo por um gol. Com 33 minutos, já metia 2 a 0. Foi quando a torcida começou a gritar ''é campeão''. Até então, por mais que o favoritismo fosse enorme, era mais prudente respeitar a Ponte - existe a lenda do fantasma do Palestra, e com fantasma não se brinca.
Mas o Palmeiras tinha Vanderlei Luxemburgo, o especialista em despachar tabus - era ele o técnico no fim da fila de 17 anos, em 1993. E o Palmeiras tinha também Valdivia, Kléber, Alex Mineiro e Marcos.
Para o camisa 12, o que valia era a festa. E as homenagens de colegas, torcedores e de Luxemburgo, que o trocou por Diego Cavalieri aos 33 minutos do segundo tempo, logo depois do quinto gol. Marcos saiu de campo aplaudido de pé. Poucas vezes no futebol paulista se vira tamanha reverência a um jogador. No banco, ele ganhou um beijo e um abraço de Luxa.
Depois, viu o médico Rubens Sampaio e o fisioterapeuta Nilton Petroni (o Filé) se curvarem a ele, reverenciando-o. Ironia: foi justamente Filé quem devolveu Marcos para o futebol. ''Agradeço a todos da comissão técnica e do clube, que continuaram me pagando nesses dois anos que fiquei parado, acreditando que eu poderia voltar um dia.''
Marcos também não se esqueceu de Luxemburgo. ''Quando ele chegou, em janeiro, eu não jogava, só corria em volta do campo. E o Vanderlei me deu a chance de voltar a jogar.''
Como reserva, o goleiro tinha participado de dois jogos na campanha do último Paulista, em 1996. Ganhou a Libertadores, foi titular da seleção brasileira no penta em 2002, mas admitiu que o título de ontem teve, sim, ''um gostinho especial''.
À certa altura, perguntaram para Marcos se ele se sentia como um ídolo para a torcida. Quem conhece o goleiro sabe que ele jamais responderia que sim. ''Ídolo é o Valdivia, um jogador de ataque, irreverente. A torcida estava precisando de um jogador irreverente como ele. Eu nunca procurei ser ídolo'', disse. (Juliano Costa/AE)





