Marcos Assunção desfila categoria no Oriente
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sábado, 02 de agosto de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Longe do futebol brasileiro há dez anos, o volante Marcos Assunção prepara-se para defender o Al-Shabab, dos Emirados Árabes Unidos, na próxima temporada. Na equipe comandada pelo compatriota Toninho Cerezo, o atleta espera reviver os bons momentos de seus tempos de Roma e Betis, clubes nos quais deixou marcas importantes e conquistou títulos. Revelado pelo Rio Branco de Americana, Assunção ganhou projeção nacional ao se transferir para o Santos, onde ficou de 1996 a 1998. Depois disso teve uma passagem pelo Flamengo, de onde saiu para jogar na Itália.
E foi nesta primeira experiência no futebol do exterior que o volante mais sofreu para se adaptar aos costumes locais. ''Quando saí do Brasil eu só tinha 22 anos e o máximo de tempo que havia ficado fora do país tinha sido uma semana. Foi difícil porque eu fui sem a minha família e só vinha ao Brasil a cada seis meses'', relembra Assunção, que ressalta o apoio recebido dos demais brasileiros que atuavam na Roma naquela época. ''O Cafu, o Aldair e o Fábio Júnior foram muito importantes neste período. Foi um dos grandes times em que joguei. Também tinha o Toti (italiano), o Candela (francês) e o Antônio Carlos'', enumera.
Campeão italiano em 2001, o atleta transferiu-se em setembro de 2002 para o espanhol Betis, onde acredita ter atingido seu ápice. ''Na Itália, o jogo era mais pegado enquanto na Espanha o futebol é bem mais técnico. No Betis acho que vivi o melhor momento da carreira, conquistando a Copa do Rei em 2005 e levando o time pela primeira vez para a Liga dos Campeões, em que tivemos uma boa participação'', destaca.
Em seu tempos de Espanha, Assunção acabou perdendo espaço na seleção brasileira - que defendeu em 11 oportunidades, inclusive marcando um gol. ''Eu estava sendo convocado sempre quando jogava no Brasil e mesmo na Roma, mas depois não fui mais. Eu não digo que a ida para o Betis tenha me prejudicado, por tudo o que fiz lá, mas como é uma equipe menos conhecida internacionalmente, isto pode ter influenciado de alguma forma. Teve uma temporada em que eu, o Edu e o Ricardo Oliveira marcamos juntos 52 gols, à frente de qualquer outro trio estrangeiro e mesmo assim não fomos convocados. Depois disso seria muito difícil voltar à seleção'', complementa o volante, que vive há quase um ano no terceiro país diferente desde que saiu do Brasil.
E curiosamente, apesar do choque cultural de morar em um país árabe - com hábitos e costumes totalmente diferentes da civilização ocidental -, Assunção afirma que a adaptação foi relativamente fácil. ''Agora foi mais fácil porque já tinha 31 anos, falava italiano e espanhol, e mesmo tendo que aprender inglês não tive maiores problemas. Sem falar que dentro de campo o entendimento é bem mais simples. O futebol lá tem menos qualidade que no Brasil e na Europa, então também é muito mais fácil jogar''.
Em sua primeira temporada nos Emirados Árabes, o volante defendeu o Al Ahli, pelo qual conquistou a copa local. E agora se tranferiu para o maior rival, o Al-Shabab, que é o atual campeão nacional. ''É um time forte, que enfrentei três vezes na última temporada e que trouxe também o Renato, que jogou no Flamengo'', fala o atleta sobre sue novo clube.
Já planejando o final da carreira em um prazo máximo de três anos, Assunção ainda pensa em voltar ao futebol brasileiro. ''Eu devo deixar o futebol com no máximo 34 ou 35 anos até porque eu quero parar e não que me parem. Quando sentir que não consigo mais acompanhar a velocidade dos meias aí é o momento de parar. Gostaria de voltar ao Brasil e até tive algumas propostas, mas não entrei em acordo com nenhum clube. Acabei acertando um contrato de 10 meses com o Al-Shabab'', explica o volante, que aguarda uma nova chance de voltar a seu país em 2009.


