Agência Folha
De Tóquio, Japão
Herói da campanha do título da Taça Libertadores e eleito melhor jogador do torneio, o goleiro Marcos admitiu ontem que falhou no gol do Manchester. O título continental havia credenciado o Palmeiras para a decisão de ontem.
Pergunta – Como foi o lance do gol?
Marcos – Eu falhei. Vi jogos do Manchester, e o Giggs costuma cruzar à meia altura, no primeiro pau. Achei que a bola seria curta e dei um passinho para frente. A bola veio alta e me encobriu. Não vi nem quem fez o gol.
Pergunta – Como você está se sentindo?
Marcos – Sei dos problemas que a minha profissão tem. Sei que daqui a 30 anos esse jogo vai passar na TV e que as pessoas só vão ver o lance do gol que eu tomei, e não os que a gente perdeu. É difícil você conter as lágrimas depois de cometer um erro numa final de Mundial. E o que dói mais é o placar ter sido 1 a 0, e saber que o erro no gol do Manchester foi meu. Se tivessem saído mais gols na partida, a história poderia ter sido diferente. Mas não tem importância. Deus dá a cruz conforme a gente consegue carregar.
Pergunta – Você acha que sua falha foi muito grande?
Marcos – Não foi uma falha tão clamorosa assim, mas, se não tivesse tomado o gol, a gente teria empatado o jogo.
Pergunta – Como você avalia seu comportamento no jogo após aquele lance?
Marcos – Depois de um negócio desses, você fica um pouco inseguro, com medo de errar de novo. Não queria ser problema para o time.
Pergunta – E agora, como você fará para que isso não interfira em sua atuação nos próximos jogos?
Marcos – Errei, está errado, não tem mais volta. Eu errei, mas perdemos todos juntos. Não adianta ficar me lamentando. Isso já é passado. Temos no dia 7 um jogo importante pelas semifinais da Copa Mercosul (contra o San Lorenzo, em São Paulo). Vou me preparar do mesmo jeito que vinha fazendo para que a gente consiga o título.
O vestiário do Palmeiras foi tomado por um misto de tristeza e revolta após a derrota de ontem. Enquanto a maioria dos jogadores chorava ou se mostrava abatida, Evair estava irritado. O atacante não se conformou em ter entrado apenas no segundo tempo, e deixou o campo transtornado, afirmando que não voltará a vestir a camisa do clube. ‘‘Tem pessoas que não entenderam a importância que essa partida tinha para um cara como eu, que deu tudo pelo Palmeiras’’, declarou o jogador, cujo contrato acabou ontem.
Já o volante César Sampaio era o mais deprimido. Quando o jogo terminou, ele se deitou no gramado e ficou chorando por um longo tempo. Nos vestiários, de olhos inchados, justificou sua tristeza. ‘‘Creio que essa derrota foi pior do que a na França (ele foi titular do Brasil na Copa-98, perdida na final para a seleção da casa). Naquela ocasião, tivemos um dia conturbado (os jogadores presenciaram a crise nervosa do atacante Ronaldo antes da decisão), não rendemos nem 40% do que podíamos. Agora não, estávamos preparados, jogamos melhor do que o adversário.’’
Após dar entrevistas, Sampaio falou com a mãe ao telefone celular e voltou a chorar.

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