São Paulo, 14 (AE) - A saída do técnico Paulo César Carpegiani foi um alívio para o zagueiro Márcio Santos. Os dois não conseguiram se entender ao longo da temporada. No treino de hoje à tarde, Márcio Santos resolveu desabafar. "Pelo que eu estava jogando, estaria na seleção brasileira se o São Paulo tivesse outro treinador", disse. "Estava bem e o Carpegiani me atrapalhou bastante."
O zagueiro, tetracampeão mundial com a seleção, em 1994, contou ainda que não sabe a razão dos problemas com o treinador. "Acho que ele queria pegar alguém para Cristo e eu fui o escolhido." Recentemente, Carpegiani chegou a desconfiar de que Márcio Santos estaria fazendo "corpo mole" para não jogar. Um exame médico, porém, comprovou uma contusão do atleta. "Estava inseguro."
Márcio Santos reapresentou-se apenas hoje à tarde. Não apareceu na segunda-feira porque, segundo ele, o mau tempo em Camboriú (SC), onde estava, impediu os aviões de decolar. Na manhã de hoje, completou, o "avião quebrou em Joinville". A diretoria chegou a ameaçar punir o atleta pelo atraso. "Está tudo certo, porque foi tudo justificado", explicou o zagueiro.
Lado positivo - A ausência de Carpegiani no comando do São Paulo, quinta-feira, contra o Atlético-PR, no Morumbi, foi vista sob um lado positivo pelo volante Jorginho. "O time está tranquilo e descontraído", garantiu. "Mudanças de treinador são normais no futebol e, geralmente, trazem um ambiente melhor para o grupo."
Milton Cruz, substituto provisório de Carpegiani, ainda não definiu a equipe, que tem de vencer os paranaenses por uma diferença de dois gols para chegar à final do torneio seletivo para a Libertadores. Edmílson, que cumpriu suspensão, e França, recuperado de contusão no tornozelo direito, podem voltar ao time. Fábio Aurélio, Fabiano e Edu, na seleção pré-olímpica, não têm presença confirmada.
"A tendência é dar continuidade ao trabalho do Carpegiani", disse Cruz. Esbanjando humildade, ele fala em ajudar o São Paulo neste momento e, depois, entregar o cargo ao futuro treinador, ainda não definido. "Só quero poder entrar para a história do clube como o técnico que levou o São Paulo de volta à Libertadores da América."

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