A bola viajou alta, descaiu no primeiro pau. O atacante Leco levantou o braço, confundiu a defesa e o goleiro. O zagueiro Márcio, no segundo pau, ainda teve que quase se agachar, mas acertou o cabeceio com firmeza. Antes de a bola estufar as redes do gol dos vestiários do Estádio do Café, a torcida alviceleste já comemorava o desfecho daquele ‘‘chuveirinho’’ desesperado. ‘‘Muita gente já estava saindo do estádio. Perderam o lance e se arrependeram para sempre’’.
A cena descrita acima e comentada pelo seu principal personagem se refere aos momentos finais do segundo dos três jogos que Londrina e União fizeram em 1992 para decidir o título paranaense. Pela dramaticidade e importância – se a jogada não tivesse acontecido, o União teria vencido o jogo e conquistado o título inédito nos domínios do seu principal rival –, o gol é considerado o mais decisivo deste confronto, que marcou o último título estadual do Tubarão.
Aos 38 anos, atual técnico dos juniores do LEC, Márcio Alcântara guarda em um lugar privilegiado da memória seu momento mais glorioso com a camisa do Londrina. ‘‘Dizem que o Leco tocou a bola com a mão. Sinceramente, não sei se houve o toque. Foi uma jogada muito rápida’’, relembra o zagueiro, um dos maiores jogadores da história do alviceleste, clube que escolheu para começar e encerrar a carreira. Entre uma passagem e outra, esteve por seis anos no Palmeiras. Nem a euforia de 30 mil torcedores fizeram Márcio esquecer das provocações do então treinador do União, Geraldo Roncato, antes deste jogo. ‘‘Ele dizia que o União era mais time e que não precisaria de uma terceira partida para ser campeão. Fiz o gol e corri para o banco deles, mostrando a camisa e gritando o que vinha na minha cabeça. Aquilo nos deu moral para sermos campeões’’.

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