O candidato da oposição à presidência do Flamengo, Márcio Braga, de 62 anos, declarou que só entrou na disputa eleitoral por causa da atual situação caótica em que se encontra o clube. ‘‘Está ruim por todos os lados que se olha: financeiro, esportivo e institucional’’, disse o ex-presidente, que já esteve no poder do clube mais popular do Brasil por quatro vezes. ‘‘Durante esses quatro mandatos, fomos campeões 23 vezes’’, argumenta Braga, que se nega a comentar a atual gestão do clube, dizendo que não será a palavra dele que vai piorar ou melhorar a situação.
Para Braga, um dos fatores principais que levaram o clube à atual crise foi a descaracterização do time, que deixou de privilegiar os jogadores criados nas categorias de base, a chamada ‘‘prata da casa’’. E nesse ponto, a torcida rubro-negra concorda com Braga, e parece ter encontrado no atual presidente, Kléber Leite, o algoz para os seguidos vexames a que tem sido obrigada a passar, na maioria das vezes em pleno Maracanã.
Em dois mandatos seguidos, Leite não conquistou nenhum título expressivo. Negociou mais de cem jogadores, movimentando cerca de US$ 65 milhões no futebol. Leite contra-argumenta dizendo que tudo o que fez foi pensando no melhor para o clube. ‘‘No ano do centenário contratamos os melhores jogadores em atividade no País para o ataque, mas não deu certo’’, disse.
No time que vem jogando, apenas Eduardo, Luís Alberto e Leonardo vieram das divisões de base do clube. Daí percebe-se a falta de identidade que o elenco tem pelas tradições com a camisa rubro-negra. O diretor-técnico, Washington Rodrigues, assim que foi contratado, após a derrota para o Bragantino, por 1 a 0, anunciou que retomaria a valorização da ‘‘prata da casa’’. A decisão foi tardia e o time desde então ganhou apenas um jogo, contra a Ponte Preta, e não venceu mais nenhum dos seis que disputou.
Após o último vexame, na quarta-feira, contra os reservas do Boca Juniors, pela Copa Mercosul, em que o Flamengo perdeu por 2 a 0 (veja ficha técnica do jogo logo abaixo), Rodrigues atribuiu a péssima atuação à contusão sentida pelo lateral-esquerdo Leonardo, ainda no vestiário, obrigando o técnico Toninho Barroso a mudar o esquema do time - de dois para três zagueiros e dois alas.

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