Márcio Alan, um homem de fé
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sábado, 21 de junho de 2003
Guilherme Gouveia<BR>Reportagem Local 
Fé. Certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova que existem coisas que não vemos. A definição bíblica de um dos pilares do cristianismo ortodoxo explica de um certo modo a difícil recuperação do meia Márcio Alan, 28 anos, titular absoluto do Londrina no Campeonato Paranaense. Muitas vezes, teve de recorrer ao que carrega na alma para buscar motivação e continuar sonhando com a volta aos gramados.
Eu me apego acima de tudo em Deus. É somente Nele que eu deposito minha vida e esperança. Creio em tudo o que a Bíblia ensina e ela nos diz que Deus quer o melhor para Seus filhos. Acho que Ele quis me mostrar algo nesse tempo. Aprendi mais do que nunca que devemos dar glória a Deus em tudo, diz o jogador, cearense de Juazeiro do Norte.
Márcio Alan é um homem de fé, mas também é um homem de disciplina. Fez sua parte para driblar um marcador que insistia em persegui-lo até mesmo do lado de fora dos gramados. As lesões são seu pior jugo. Foram quase 60 dias de muita fisioterapia, hidroterapia, alongamento e terapia postural. A lesão no músculo adutor da coxa esquerda está curada. A inflamação de púbis ainda precisa de cuidados, mas não preocupa como antes. Foram momentos de angústia.
Não, não foi nada fácil. É muito difícil para um homem ficar impossibilitado de exercer sua profissão. Fiquei também ansioso com a possibilidade de ser dispensado. Mas sempre contei com o apoio da direitoria, que para mim é direfente de todas com qual já trabalhei. Aqui no Londrina, além do jogador, eles valorizam também o homem, afirmou o jogador, duas vezes campeão pernambucano (Sport) e mais duas cearense (Ceará).
Amanhã, Márcio Alan volta a treinar com os demais jogadores do elenco. Mas ainda é cauteloso. Sabe que seu ritmo de trabalho terá de ser acelerado com o tempo. Vou voltar aos poucos, não dá para voltar e acompanhar o ritmo dos outros jogadores. Preciso primeiro ganhar força física, ritmo e principalmente confiança. Acredito que no jogo contra o União São João (5 de julho) já estarei à disposição do treinador.
Nem mesmo o sucesso do quadrado ofensivo do Tubarão 10 gols no campeonato serve para ofuscar o retorno de Márcio Alan, que não teme a alta concorrência no grupo. A maturidade o fez pensar diferente. Hoje, Graças à Deus, não tenho orgulho ou vaidade de ser titular. Eu gosto de jogar futebol. Vou trabalhar para reconquistar meu lugar no time. O importante é ter saúde para jogar. Não tenho a obsessão de ser titular, mas prometo que não vou me acomodar.
Alan também sonha em jogar num clube grande, quem sabe até trabalhar no exterior. Mas admite que o fato de ter mais de 25 anos pode atrapalhar seus objetivos. Vai ficando cada vez mais difícil. Mas tenho esperanças. Hoje estou melhor do que 4 ou 5 anos atrás, mas com o mesmo preparo físico. Mas confio em Deus e Ele sabe o que é melhor para o meu futuro.


