Nos últimos três campeonatos europeus de futsal, o londrinense Marcinho Forte esteve em quadra defendendo a seleção italiana. Mas a edição 2014 do torneio, que está sendo disputada na Bélgica, o ex-capitão assiste pela televisão. Depois de oito anos, o fixo naturalizado italiano decidiu que era hora de deixar a seleção europeia. O anúncio foi feito dias antes da convocação final para o campeonato, que começou na semana passada.
A sensação de dever cumprido e a vontade de passar mais tempo ao lado da família – a mulher e o filho pequeno, de 4 anos, moram com ele na Itália – pesaram na decisão. "Da minha parte acho que fiz tudo. Joguei com grandes jogadores e ajudei a formar outros jovens que serão grandes que estão jogando o Europeu. Outro motivo é por querer estar mais com a família, até porque não ganhamos dinheiro para representar a seleção", afirmou o atleta, que completa 37 anos em abril.
O jogador, que vive na Itália desde 2002, conta que já vinha amadurecendo a ideia de deixar a seleção desde o Mundial da Tailândia, em 2012, mas havia adiado a decisão a pedido do técnico Roberto Menichelli. "Na verdade, já tinha falado com o treinador depois do Mundial, mas ele pediu para esperar para tentar arrumar alguém para substituir. Não é fácil, vou sentir muita saudade", contou o londrinense, que chegou a ter seu nome incluído na pré-convocação para o torneio na Bélgica.
A relação com a seleção italiana teve início em 2003, quando Forte foi convocado para os primeiros treinos. Mas foi em 2005 que começou a se firmar. O início foi conturbado. Ele fez parte de uma geração cheia de jogadores naturalizados e que por um tempo foi bastante criticada pelos italianos. Mas superado este problema, Marcinho, que sempre demonstrou muita raça em quadra, ganhou o respeito dos torcedores e herdou a braçadeira de capitão em 2011. Com a camisa 3 da ‘Azurra’, o londrinense disputou, além de três europeus, duas edições da Copa do Mundo – sendo a última delas, na Tailândia, em 2012. Foram no total 84 convocações, entre torneios oficiais e amistosos.
Mesmo sem ter ganho títulos com a seleção, o ex-capitão se diz orgulhoso de fazer parte da história do futsal da "Velha Bota" e espera ter seu nome lembrado por muito tempo. "Não consegui vencer nenhum título com a seleção, mas sei que dei meu melhor sempre, e por isso saio com a cabeça erguida, orgulhoso e feliz pela minha trajetória. Cresci como jogador, pessoa e fiz muitos amigos que levarei para sempre no coração", falou o jogador, que ajudou a Azurra a chegar a um vice campeonato e dois terceiros lugares em europeus. Em 2012, ele foi terceiro com a seleção no mundial tailandês.
Aposentado da seleção, Marcinho vai continuar jogando na Itália, onde defende o Real Rieti pela segunda temporada consecutiva.

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