Márcia Menezes vive expectativa da estreia
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sábado, 18 de agosto de 2012
João Fortes<BR>Reportagem Local 
Com o fim dos Jogos de Londres e a consagração dos novos heróis olímpicos, no último domingo, chegou a vez de outros desportistas viverem a expectativa de também ter o seu momento de auge no esporte na capital inglesa. São os competidores da Paralimpíada, que terá início no próximo dia 29.
E entre os integrantes da delegação brasileira está a halterofilista londrinense Márcia Menezes (até 82,5kg), que aos 44 anos disputa pela primeira vez a competição mais importante do paradesporto. Ela passou os últimos meses alternando treinos entre Londrina, com a equipe da Adefil, e Uberlândia (MG), com a seleção brasileira de para-halterofilismo. Na última segunda-feira, a paratleta embarcou para Manchester, a 315 km de Londres, onde finaliza a preparação. E no final do mês segue, enfim, para a cidade sede dos Jogos Paralímpicos, onde compete no dia 04 de setembro.
Antes de viajar, ela conversou com a reportagem da FOLHA e se dizia bem focada e concentrada no treinamento. Ansiosa mesmo, ela diz que ficou quando foi convocada para a seleção paralímpica. ''Eu não acreditava, foi muita emoção. Agora estou mais tranquila, mas a medida que for chegando creio que vou ficar mais ansiosa'', garantiu.
Embora estreante, Márcia vem demonstrando ser uma forte candidata à uma medalha. Do início do ano até agora, ela conseguiu aumentar sua marca de levantamento de peso de 101 kg para 115 kg, registrando dois recordes brasileiros no período. ''De todos os atletas do para-halterofilismo brasileiro ela foi a que mais evoluiu. É uma atleta disciplinada e muito determinada'', elogiou Valdecir Lopes, técnico da seleção brasileira da modalidade.
E é com essa determinação que ela já passou a levantar 120 kg nos treinos e espera chegar aos 130 kg em Londres. ''Como é a primeira paralimpíada, a ideia é ficar entre as seis primeiras colocadas. Essa é a meta estipulada pelo comitê paralímpico, mas ela tem chances reais de medalha'', avaliou Evandro Becker, treinador da equipe da Adefil.
Becker acompanhou toda a evolução de Márcia, desde que ela começou na modalidade, há seis anos. ''De lá pra cá, ela mais que dobrou o peso'', destacou o técnico.
Trajetória
Sua trajetória começou meio que por acaso. Márcia, que já havia treinado natação, participava da equipe de atletismo da Adefil e durante uma competição regional, em São Paulo, foi convidada a tentar a sorte nas provas de halterofilismo. Primeiro resistiu à ideia, mas acabou sendo convencida pelos colegas de equipe e conquistou a primeira colocação, levantando 30 kg, 40 kg e na última tentativa 45 kg. ''Eu já tinha feito academia antes e sempre tive mais força nos braços, mas o halterofilismo nunca tinha feito, aprendi na hora. Gostei e comecei a treinar'', contou a paratleta.
Mas ser uma paratleta nem sempre esteve nos planos de Márcia. Desde um ano de idade, ela convive com a sequela na perna direita, causada por uma poliomelite. Sempre gostou de assistir a qualquer modalidade esportiva pela TV e por um grande período da vida tinha a consciência de que, pela sua condição, nunca teria chances de ser uma esportista. Mas, em 1999, as coisas começaram a mudar para a mulher que já tinha um filho de dois anos de idade. ''Fiquei desempregada e conheci o projeto Pata da Adefil. Aprendi a nadar e comecei a participar de competições regionais'', relembrou.
Com o halterofilismo, ela subiu a outro patamar, que parecia ainda mais improvável. ''Nem sabia que era possível receber do governo para ser atleta. Em 2008 consegui índice para o campeonato brasileiro e passei a receber bolsa-atleta''.
Já, a partir do ano passado, a evolução no esporte ficou ainda mais perceptível. Márcia participou da sua primeira competição internacional, no Para-Panamericano, em Guadalajara, no México. Em fevereiro deste ano, foi para o Campeonato Mundial, em Dubai, e depois disso foi convocada para a seleção paralímpica do Brasil.
Atualmente, Márcia Menezes é a terceira colocada no ranking mundial de para-halterofilismo e não vê a hora de mostrar seu talendo em Londres. ''Eu assisto tudo das Olimpíadas e fico pensando que daqui uns dias estarei lá, sentindo essa emoção de representar o Brasil'', finalizou Márcia, antes da viagem a Manchester.


