Ela não conseguiu medalha na Paralimpíada de Londres, mas nem por isso vai ficar sem comemorar. A sexta colocação no halterofilismo, categoria até 82.50 kg, foi uma vitória para a atleta londrinense Márcia Menezes, 44 anos. E como prêmio, ela quer a sensibilização das empresas locais como futuras patrocinadoras e um novo emprego.
Antes dos Jogos, Márcia trabalhava no setor de call center de uma grande seguradora de saúde, mas as faltas no trabalho para treinamentos e disputas acabaram causando sua demissão dias antes de embarcar para Londres. "Recebo o Bolsa Atleta do Governo Federal e meia bolsa da Insano (patrocinadora). É pouco para sustentar o esporte e minha casa. Mas por cinco meses terei meu seguro desemprego ainda", contou a atleta, que começou a competir há seis anos apenas.
Márcia levantou 110 kg em Londres na última terça-feira. A medalha de ouro ficou com a nigeriana Loveline Obiji, que atingiu a marca de 145 kg. Randa Mahmoud, do Egito, ficou com a prata ao levantar 140 kg. Em terceiro lugar, ficou a chinesa Yanmei Chu, com 129 kg.
Ela conta que, mesmo não conquistando uma medalha, está muito feliz com a participação na Paralimpíada. "Eu particularmente estou muito feliz. Não foi exatamente o que planejamos, não conseguimos nosso objetivo. Poderia ter conseguido um quarto lugar, o que seria uma glória por ser minha primeira paralimpíada, mas consegui o sexto lugar que também é uma vitória", analisou.
Márcia sofreu sequelas na perna direita de uma poliomielite quando tinha apenas um ano e três meses. Mas o problema nunca foi empecilho para ela. Tanto que já planeja a ida ao Jogos do Rio-2016 para voltar de lá com uma medalha. "Vou me dedicar mais aos treinos em busca da vaga agora em casa. Rio-2016 me aguarde. Se Deus quiser estarei lá, pois se depender da minha vontade e de persistência, já estou lá", prometeu. "Tenho muito gás ainda e em casa vai ser mais gostoso buscar essa medalha".
Mas para poder se dedicar a ponto de brigar por um pódio, ela precisa de investimentos. Por isso, nesta volta ao Brasil, vai batalhar para tentar conseguir novos patrocinadores. A atleta da Adefil/FEL/UEL tem o patrocínio apenas do energético Insano e da academia Vips. "As empresas de Londrina e região têm que acreditar. Apesar do paradesporto dar tantas medalhas ao Brasil, não temos apoio das empresas. Temos ótimas empresas em Londrina, que podem adotar um atleta", cobrou.

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