Márcia, londrinense, vai acelerar na F-Truck
Mulher pilota bem é máquina de lavar roupa. O preconceito com que as mulheres costumam ser tratadas não se aplica à londrinense Márcia Arcarde. Aos 29 anos, 1,55 metro de altura, quem a vê não acredita que ela é a única caminhoneira entre os quase mil que fazem parte da Dalçóquio, uma distribuidora de combustível que presta serviço à Petrobrás. Agora, depois de viajar pelas estradas do Brasil, ela parte para aceleradas mais fortes: foi convidada para disputar o Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck. E aceitou no ato. Será uma maneira de fazer o que tenho vontade mas não posso no dia-a-dia: pé lá embaixo, diz Márcia, fã de música country e sertaneja.
O mal de pilotar caminhões vem do berço. Ela conta: Meu pai (Seo Antônio) era caminhoneiro e, quando tinha 13 anos, comecei a viajar com ele nas férias, e aos poucos ele foi me ensinando a dirigir, na época um Mercedes 1113. Com 18 anos Márcia tirou carteira e um ano depois se casou. Foram seis anos longe da estrada. Após se separar do marido (tem dois filhos, Adriana, 10 anos, e Guilherme, de quatro), Márcia voltou a trabalhar, até que recebeu um convite da Dalçóquio.
Não tinha idéia de como seria. Fiz todos os testes e fui aceita. Passei a ser a única mulher entre os mais de 900 motoristas da empresa. Nunca senti preconceito, muito pelo contrário. Eles, o tempo todo, me trataram com muito carinho e respeito.
Acostumada a andar pelas estradas e sempre fazendo o transporte do combustível para o Autódromo de Londrina, um dia apareceu o convite por parte de Aurélio Félix, organizador da F-Truck. Não acreditei. Falei com meu patrão e ele me deu todo o apoio. Já faz um mês que Márcia se dedica apenas à pilotagem. Ela está recebendo aulas dos pilotos londrinenses Marcelo Caramori e Silvio Maruyama e, até o dia de ontem, ela já havia dado 600 voltas na pista londrinense, o equivalente a dez provas do Paranaense.
Márcia Arcarde - que faz questão de se maquiar e, mesmo de capacete, usar brincos - será a primeira mulher do País a pilotar na categoria e a segunda do mundo a dirigir um caminhão em competição. E avisa: Não vejo a hora de entrar na pista e acelerar.André Teixeira/DivulgaçãoProfissão: pilotoMárcia: experiência como motorista e entusiasmo para pilotarAlberto Macedo





