O atacante Marcelo Negrão, de 28 anos, viu o sonho de defender a seleção brasileira de vôlei em mais uma Olimpíada e a possibilidade de fechar um bom contrato com um clube no Japão transformarem-se em um novo desafio. Negrão, que deu o título olímpico ao vôlei do Brasil, em Barcelona/1992, ao definir a vitória da seleção com um ponto de saque, terá de recomeçar do zero. Primeiro precisa ‘‘ficar bom para voltar às quadras’’. Negrão iniciou, no domingo, esse processo, após a cirurgia de reparação e reforço do ligamento patelar do joelho direito, a mesma que afastou Ronaldinho do futebol – o craque foi operado no dia 13 de abril de 2000, em Paris.
O médico que fez a cirurgia em Negrão, Dan Oizerovici, ortopedista especializado em joelho e medicina esportiva, disse, ontem, que é difícil indicar um prazo exato para o retorno à atividade esportiva diante de uma lesão que era ‘‘gravíssima’’. ‘‘Tive de fazer a reparação e o reforço’’, ressaltou o médico, que usou as mesmas técnicas disponíveis e conceituadas nos Estados Unidos e na França. Disse que a recuperação pode levar entre 8 meses e um ano e que Negrão ‘‘tem chances de jogar bem’’. Acrescentou que o jogador tinha o joelho muito doente. ‘‘Esse tendão vem sendo rompido nos últimos dez anos.’’
Negrão afirmou ontem, no Hospital Albert Einstein, onde permanecerá internado por mais três dias, que só pensa ‘‘em ficar bom’’. Teve de redirecionar todos os seus planos – que incluia buscar espaço na seleção de Bernardinho para a Olimpíada de Atenas, em 2004, a partir da Liga Mundial – em poucos dias. Sua história mudou na sexta-feira, com o rompimento do tendão no segundo set do jogo contra a Holanda. Negrão ainda não sabe, ao certo, se receberá ajuda financeira da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que inicialmente só arcará com as despesas da cirurgia. Ele jogou a Superliga pelo Suzano.

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