Marcelo Caldarelli: Quero fazer o que não fiz há 14 anos
Folha: Por que você quer ser presidente do Londrina?
Caldarelli: Gosto muito do Londrina. Nasci em Londrina, já fui presidente do Londrina. Na época, eu não tinha muita experiência e hoje, depois de 14 anos, me sinto preparado. Tenho vários projetos, estudei muito o Londrina e quero voltar a ser presidente.
Folha: Quais são seus principais projetos?
Caldarelli: Hoje, você tem que ter a ajuda do poder público, mas não depender dele. Para isso, você tem que ter criatividade e realidade para o torcedor acreditar no seu trabalho. A realidade é ter um bom time nas tuas condições. Não adianta hoje querer fazer um supertime e não ter dinheiro para pagar. Para o Londrina voltar a ter credibilidade tem que pagar em dia suas contas. Já que a Prefetirua quer ajudar o Londrina, um dos meus projetos é ceder a marca do clube para os cartões telefônicos. A Sercomtel repassaria um dinheiro para nós dos cartões que foram vendidos.
Folha: A Sede Campestre vai a leilão dia 20. Qual a sua opinião?
Caldarelli: Sou super contra. Vender a sede não é justo. Já existe um acordo homologado pelo juiz na Justiça do Trabalho em que o Londrina, a partir do ano que vem, repassará 20% das receitas. A partir do momento que você cumprir esse acordo, que for tudo às claras, não precisa vender a sede, que é do associado. A dívida é do time de futebol, não podemos penalizar o sócio. Tem que valorizar a sede, que pode até receber um centro de treinamento.
Folha: O senhor pretende terceirizar o futebol do clube?
Caldarelli: Jamais. Já se tentou terceirizar várias vezes e deu tudo errado. O Londrina tem que ter parceria, o que é diferente. Agora, passar o clube por dez anos para as mãos de uma pessoa que não nasceu em Londrina, que não viveu o dia a dia do Londrina e que se não der certo rompe o contrato e devolve o clube todo arrebentado. Aí vai o Londrina bater nas portas pedir ajuda. Eu tenho uma parceria conversada com o Barueri e com uma outra empresa. Londrina é um gigante que está dormindo. A hora que acordar, muita gente vai ver a força que tem.
Folha: Como será a política de transparência e prestação de contas?
Caldarelli: Eu amadureci muito nesses 14 anos acompanhando o Londrina e as coisas que não foram feitas às claras chatearam muito o torcedor, os sócios. A cada dois meses tem que apresentar as contas na imprensa porque é isso que faz com que a credibilidade volte a imperar no Londrina. Ninguém pode falar que existe credibilidade no Londrina hoje.
Folha: Quem vencer a eleição vai receber uma hernança maldita das mãos do presidente Peter Silva. São dívidas, falta de credibilidade e de calendário, time rebaixado... Como administrar tudo isso e resgatar o clube?
Caldarelli: O que mais preocupa a gente é isso. Quem assumir o Londrina, vai ter a Segunda Divisão do Paranaense e a Copa do Brasil, que pode ser um jogo só. Além disso, tem vários jogadores nesses últimos anos que não receberam os salários, tem hotel que não foi pago, tem restaurante, empresa de ônibus, etc. O que vem pela frente é ainda pior do que já está aí. Hoje, no Londrina, ninguém sabe o que deve e o que não deve. Sabemos do que está para trás, mas não o que vem pela frente.
Folha: O senhor pensa em pedir uma auditoria no clube dos últimos anos?
Caldarelli: Hoje, para fazer um bom trabalho tem que delegar poderes, dividir funções e colocar às claras as pessoas de quem você vai ser o sucessor. Na verdade, o futuro presidente vai ser o homem-chave para pagar as dívidas. É preciso ter a auditoria para depois não falarem que você roubou. Todo mundo vai ver o presente e não o passado. Não quero repetir o erro da primeira gestão.
Folha: O Senhor é a favor ou contra à venda do VGD?
Caldarelli: Sou contra. Acho que o VGD faz parte da vida de da cidade de Londrina. A gente respeita a opinião do prefeito, mas não se pode tomar a decisão de vender um patrimônio hitórico da cidade. Ali se pode fazer um estádio de 15 mil lugares maravilhoso para o Londrina mandar seus jogos. Vou brigar até o final para mandar os jogos da Segunda Divisão no VGD.
Folha: O Londrina tem a Copa do Brasil em fevereiro e depois ficará no mínimo três meses sem jogar. Como se planejar? Como montar o elenco?
Caldarelli: Você tem que ter uma estrutura para montar o time da Copa do Brasil. Claro que uns 4 ou 5 vão voltar para a casa porque são jogadores caros e que vão vir ajudar o Londrina. Parando a Copa do Brasil, o Londrina não vai parar. Não se pode fazer um time para um mês. Tem que ficar a espinha dorsal para a segunda divisão.
Folha: Por que votar no Marcelo Caldarelli?
Caldarelli: Vai depender do sócio, do voto de credibilidade dos sócios. Sempre torci para o Londrina. Com 12 anos tomei uma garrafada na cabeça em Bandeirantes como torcedor fanático, como toda minha família. O que não pude fazer há 14 anos espero fazer agora. (T.M.)





