Marcelo Caldarelli nega que tenha manipulado ata
Cláudio Osti
De Londrina
Marcelo Caldarelli, ex-presidente do Londrina Esporte Clube, negou ontem que tenha manipulado ata de reunião do Conselho Deliberativo do clube, conforme afirmou o presidente do conselho, Antônio Amaral, ontem na Folha. De acordo com Amaral, a manipulação da ata foi a gota dágua na crise que culminou com a renúncia de Caldarelli.
Após a reunião, recebi a ata para assinar e percebi que havia manipulação. Apesar de o assunto não ter entrado na pauta da reunião, a ata dava conta da aprovação da entrega do passe de vários jogadores para o Marcelo Caldarelli, para que pudesse ressarcir os prejuízos que ele teve. Exigi que o secretário retirasse os termos deste ponto não discutido nem aprovado, disse Amaral.
Caldarelli, que atualmente é dono do time do Assahi e da Rádio Pepita de Ouro, de Assaí (36 quilômetros a leste de Londrina), e pretende se candidatar a um cargo eletivo naquela cidade, nega que tenha havido manipulação. Segundo o ex-presidente do Londrina, a cessão do passe dos jogadores foi discutida entre os conselheiros, registrada na ata, aprovada e assinada pelos conselheiros Odair Orioni, Rodolfo Dhiel, João Rebello e pelo próprio Antônio Amaral.
Caldarelli afirma ainda que depois disso a ata sumiu por dois dias e quando ela reapareceu estava com um texto complementar.
Apresentando uma cópia da ata, o ex-presidente enfatiza que o texto complementar, redigido a pedido de Amaral, deixa sem efeito a parte do texto que trata da permuta dos passes dos jogadores Luiz Gustavo Turini (R$ 25 mil), Fábio Montesini (R$ 25 mil), Marco Antônio (R$ 15 mil) Antônio Marcos Bispo (R$ 15 mil), Rafael Ribas Quintilhano (R$ 15 mil), Sidirnei Rodrigues Ruiz (R$ 15 mil), Bráulio José Paiva de Oliveira (R$ 15 mil) e Paulo Fabiano Evangelista (R$ 10 mil) totalizando R$ 135 mil.
Eu não manipulei nada. Manipular é levar a ata e, dois dias depois, aparecer com ela com um texto complementar. Além disso, a assinatura do conselheiro João Rabello no texto complementar foi falsificada, acusa Caldarelli.
O advogado Osvaldo Sestário Júnior, que redigiu a ata, disse ontem que o tema passe de jogadores foi inserido no final da reunião mas de forma superficial. Foi pedido para relacionar e eu escrevi da forma como eu entendi. Segundo Sestário, o assunto não havia ficado totalmente deliberado e, dois dias depois, Amaral ligou para ele dizendo que o assunto não havia sido abordado daquela forma como estava na ata e, então, foi redigido um termo complementar.
Caldarelli confirmou, entretanto, que, através de um acordo, acabou ficando com os passes dos jogadores relacionados. O Marco Antônio foi vendido para o União Bandeirante; o Sid e o Luiz Gustavo foram negociados, através do Aldivino Generoso, com o Juventus; Fabinho foi para o São Paulo; o Antônio Marcos (Capilé) está no Assahi; o Rafael ganhou passe livre; o passe do Bráulio (hoje na Portuguesa Londrinense) é do Irati; e o passe do Pitti ficou com a Sal (Sociedade dos Amigos do Londrina, que assumiu a direção do clube posteriormente), detalhou.
O ex-presidente contestou também o entendimento de Amaral segundo o qual foi um mal administrador. Para Caldarelli, um mal administrador é aquele que pega uma empresa redonda e a leva para o fundo-do-poço. Eu fiquei apenas um ano no Londrina e quando cheguei a dívida era de R$ 3 milhões. Não fui eu que fiz essa dívida. Quando estive lá paguei todas as dívidas trabalhistas que estavam vencendo, menos a do médico Jair Furlan e do ex-tesoureito José Carlos Barioni, que eram muito altas. A afirmação de Caldarelli foi confirmada por Sestário, que é o advogado que defende o Londrina nas causas trabalhistas de ex-empregados.
Quanto ao irmão (Paschoal Caldarelli) que contratou e que posteriormente processou o Londrina pedindo uma indenização de R$ 40 mil, o ex-presidente do LEC disse que o levou para ser seu assessor. Eu o levei porque precisava de alguém de confiança. Eu não sabia que ele iria processar o Londrina depois. Cada cabeça é uma sentença.
Caldarelli nega também que tenha tentado vender o ônibus do Londrina. Nem que eu quisesse, porque o veículo já estava penhorado por um banco.
Sobre a sua passagem no comando do Londrina, diz que foi a pior experiência da minha vida. O que deu errado na minha gestão foi que, quando assumimos e os demais integrantes do grupo viram o tamanho das dívidas, se assustaram e começaram a se afastar. Eu não sou centralizador; é que, para preservar os demais, fui assumindo as tarefas.





