Marcelinho teme falta de levantadores na seleção
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Daniel Brito<br> Agência Estado 
São Paulo - A vitoriosa seleção brasileira masculina de vôlei, que vive uma época de renovação, terá problemas para encontrar novos levantadores. E quem diz isso é alguém com conhecimento de causa: Marcelinho, atual titular da posição no time. ''Não temos tantos levantadores bons quanto as pessoas pensam'', disse ele. ''Só posso citar o Bruno e o Marlon, que são excelentes. Os demais não estão no mesmo nível.''
Marcelinho se referiu a seu reserva nos Jogos Olímpicos de Pequim, que defende o Florianópolis/Cimed, e ao veterano Marlon, de 31 anos, do São Bernardo/Santander. ''Espero que esta Superliga sirva para aumentar o nível dos levantadores que atuam no Brasil'', acrescentou.
Estrela do Joinville/Tigre/Unisul, Marcelinho acaba de completar 34 anos e ainda não decidiu se defenderá o Brasil por mais um ciclo olímpico. Mas tudo indica que não. ''Estou na seleção há 11 anos. É muito desgaste pelas viagens. Entrei num fase diferente, voltei para o Brasil e quero acompanhar o crescimento do meu filho'', observou.
Marcelinho passou dez anos na reserva da seleção. Assumiu o posto de titular nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no ano passado, após a briga entre o técnico Bernardinho e Ricardinho, considerado por muita gente o melhor levantador do mundo. ''Não é tão simples assim trocar o levantador. Até o jogador assimilar o esquema de jogo demora um bom tempo, porque ele tem de estar entrosado com todos os outros.''
Bruno, por sua vez, procura evitar a ansiedade para se tornar titular no time que é comandado por seu pai, Bernardinho. ''Acredito que a geração que jogou em Pequim estará em Londres, em 2012. Renovação no vôlei é algo muito lento e levantador é como vinho: quanto mais velho, melhor'', afirmou ele. ''Se o Marcelinho continuar, vou aproveitar para aprender mais com ele. Mas não vou perder a chance de continuar trabalhando para agarrar a oportunidade de ser titular.''
Naturalmente, Bruno é o mais forte candidato a titular da seleção. Mas não é uma unanimidade. Com a experiência de quem foi o responsável pela distribuição de bolas do Brasil de 1988 a 2004, Maurício acha que Bernardinho terá dificuldades para encontrar um nome de confiança.
''Tivemos épocas duradouras, começando com o William, lá atrás. Eu tive a minha época, em seguida o Ricardinho. Mas hoje, analisando de fora do grupo, não vejo essa pessoa para chegar e ficar'', opinou. ''Por estar dentro do grupo, o Bruno está na frente dos demais. Mas não podemos descartar a possibilidade de surgir mais um novo nome'', finalizou o bicampeão olímpico.


