Desde que voltou ao Corinthians, depois de um afastamento de 18 dias por indisciplina, Marcelinho Carioca reencontrou o caminho do gol - foram dois, um de pênalti contra o Santos e outro de cabeça contra o Cruzeiro. O artilheiro da equipe no Campeonato Brasileiro, com 17 gols, mantém um jejum, porém. Ele não marca um gol de falta, sua principal arma, há dois meses. O último foi marcado na goleada por 4 a 2 sobre o Atlético-PR, dia 18 de outubro, no Pacaembu.
O craque corintiano tem, na ponta da língua, a resposta para o problema. Para ele, a justificativa está na escassez de cobranças de falta, causada pela má arbitragem e por uma mudança de comportamento dos defensores adversários. ‘‘Os juízes marcam faltas próximas à área para o outro time, mas evitam fazer o mesmo com o Corinthians’’, protesta o meia.
‘‘Como todos sabem que costumo fazer muitos gols desta maneira, os apitadores ficam com medo de marcar a falta’’, diz. ‘‘Um gol de falta decisivo pode parecer favorecimento para o Corinthians.’’ Marcelinho afirmou ainda que a falta marcada pelo árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon, na última partida, que originou o segundo gol cruzeirense, marcado por Valdo, não existiu. ‘‘A nosso favor, ele não marcaria’’, disse.
Além dos árbitros, os zagueiros também têm colaborado com a tal escassez, segundo ele. ‘‘Em um momento decisivo, os zagueiros tomam muito cuidado e evitam fazer faltas perigosas, próximas à grande área’’, explica Marcelinho. ‘‘Contra o Corinthians, esta atenção dos zagueiros fica ainda maior.’’ A solução é uma readaptação ao modo de jogar. ‘‘Temos de criar outros tipos de jogadas para chegar ao gol’’, explicou. ‘‘E isso já vem acontecendo há muito tempo.’’
Entre as tais jogadas, a principal são as tabelas feitas com os atacantes, como Edílson.
Dos 17 gols feitos até agora, que deixa Marcelinho na condição de maior artilheiro corintiano em um único Campeonato Brasileiro, apenas quatro foram de falta, mas sempre decisivos. Foi assim contra o Vasco, Botafogo e Sport. Marcelinho sorri quando fala do jejum. ‘‘O importante é que a bola está entrando de alguma maneira.’’Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Grupo unidoGilmar, Batata, Índio, Gamarra, Vampeta, Marcelinho e Edilson durante o treino corintiano ontem no Parque São JorgeAgência Estado

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