Nem só de tristezas e decepções viveu o torcedor alviceleste ao longo de quase 50 anos de rivalidade. A alegria também faz parte de alguns episódios desta história. E alguns deles relatam momentos de euforia, celebração e orgulho de representar o interior do Estado. O atacante Gauchinho, 66 anos, maior artilheiro da história do Tubarão com 303 gols (número extra-oficial), é personagem singular do confronto, considerado por muitos, como o mais épico de todos. Pelo menos para o torcedor do Londrina.
O ano era 1962, a cidade era conhecida internacionalmente como Capital Mundial do Café e atraía forasteiros de várias regiões do País. O crescimento econômico, porém, dividia espaço no noticiário local com a trajetória do time que conquistou o primeiro Campeonato Paranaense para a cidade. E a partida mais marcante aconteceu justamente contra os rivais coxas. Foi em 63, no então Belfort Duarte (hoje Couto Pereira), com vitória de 4 a 2 do Tubarão. Gauchinho marcou o terceiro e lembra como foi: ''Recebi um lançamento do Paulinho (Vecchio), tirei um zagueiro na velocidade, atirei e fui feliz no chute. Acho que o zagueiro era o Nico, que também era açougueiro, mas dentro de campo era muito leal'', recordou. ''Aquele jogo era fundamental porque nunca o Londrina tinha sido campeão''.
Gauchinho, hoje auditor fiscal da Receita Estadual, conhece muito bem as particularidade de um Londrina e Coxa. Não sabe quantos disputou, mas tem a receita para evitar que o adversário tome conta do jogo. ''Dentro de casa, a gente não pode deixar eles jogarem. Tem que marcar forte, porque se o time tomar um gol é complicado correr atrás. Quem vacilar, dança. O Coritiba sempre foi um dos piores times que enfrentamos. Sempre foi muito difícil vencê-los. Mesmo em fase ruim, eles vinham aqui e complicavam pra gente'', ensinou o atacante, natural de Capinzal, Oeste catarinense.
Atento à boa fase do Londrina, de Cahê, Raul, Thiago, Nem e cia, Gauchinho acha perfeitamente possível uma vitória hoje à tarde no Café ''O time está embalado, e um time embalado ninguém segura''. (G.G.)

mockup