Para Marcel Desailly, principal nome do sistema defensivo francês, vencer a seleção quatro vezes campeã do mundo em uma final de Copa terá a mesma sensação que uma vitória contra a seleção da Croácia, por exemplo, nas mesmas circunstâncias. Segundo ele, a importância das duas seleções é a mesma. ‘‘Você ganha prestígio porque venceu uma decisão de mundial, independentemente de ser ou não contra os brasileiros’’, afirma.
Apesar de esnobar, de certa forma, a Seleção Brasileira, Desailly, nascido em Gana, mas desde pequeno na França, fala com respeito do time de Zagallo. Enaltece a ‘‘grande equipe’’ que vai enfrentar amanhã, no Estádio da França, em Saint-Denis, ‘‘cheio de valores individuais’’. O craque Ronaldinho ganha um capítulo à parte em uma conversa com o zagueiro, que faz uma confissão. ‘‘Não aguento mais explicar como fazer para segurar Ronaldinho em campo.’’
As perguntas dos jornalistas sobre a melhor maneira de não deixar Ronaldinho brilhar são insistentes. Desailly é breve na resposta. ‘‘Basta ter atenção e uma boa colocação’’, afirma. Ambos já se encontraram antes - Desailly pelo Milan e Ronaldinho pela Internazionale, clubes rivais de Milão. Em outras ocasiões também, num total de quatro encontros. ‘‘Contra Ronaldo, já joguei como zagueiro e volante também’’, lembra.
France PresseO zagueiroDesailly: para ele, o segredo para marcar Ronaldinho é ter muita atenção e uma boa colocação em campoDesailly, que está trocando o Milan pelo inglês Chelsea na próxima temporada, depois de quase cinco anos na Itália, tenta ver alguns problemas com otimismo. O fato de a França ter um dia a menos de descanso em relação aos brasileiros após a semifinal não assusta. ‘‘Isso não vai fazer qualquer diferença’’, opina. ‘‘Chegamos a um ponto da competição em que todas as equipes estão igualmente cansadas.’’
O zagueiro ainda perdeu o companheiro Laurent Blanc, suspenso, para a decisão. Desailly terá de se adaptar a Frank Leboeuf, o substituto, na nova zaga francesa. ‘‘Tenho confiança em Leboeuf’’, garante. Para Desailly, nada vai mudar contra o Brasil.
O combustível extra para a decisão, segundo Desailly, é o entusiasmo dos torcedores. ‘‘A competição fica cada vez mais estimulante para nós e a torcida francesa’’, conta.
Desailly sabe que qualquer resultado é possível na final. Profissionalmente já está feliz por particpar da decisão, mas ficaria muito frustrado com uma derrota por causa dos torcedores. ‘‘Gostaria de ver novamente as pessoas subindo nos capôs dos carros, fazendo festa na Champs Elysées’’, diz.
Depois da vitória contra a Croácia, pela semifinal, a avenida mais famosa de Paris recebeu um público de cerca de 300 mil pessoas eufóricas. Até a mudança de comportamento feminino agrada Desailly. ‘‘As mulheres, antes forçadas a assistir aos jogos pela TV, estão empolgadas’’, comenta. ‘‘É a magia do futebol.’’
Desailly afirmou ainda que o Brasil ‘‘não é apenas Ronaldo’’ e, por isso, na decisão de amanhã, seu time vai se preocupar com todo o time brasileiro. ‘‘O trabalho da nossa defesa não se limitará a vigiar Ronaldo. Evidentemente trata-se de um jogador extraordinário, que não será deixado sozinho um só metro do campo, mas o Brasil tem outros jogadores que teremos de marcar, por exemplo, Bebeto. Embora não seja um goleador como Romário, pode fazer diferença em qualquer momento’’, disse Desailly.
Ele acredita que, ‘‘apesar de o Brasil não ter se mostrado muito espetacular nesta Copa do Mundo’’, é uma equipe que sabe retornar e maneja muito bem um contra-ataque, principalmente pelas laterais’’.
O meia Zinedine Zidane, principal jogador da Seleção Francesa, está contente com seu rendimento na Copa do Mundo, mas sente que ainda falta marcar um gol, principalmente se for contra o Brasil na final. ‘‘Tudo o que temos a fazer é marcar um gol antes do Brasil. Se este gol for meu, será maravilhoso’’, disse ele.
Cada jogador francês e cada membro do corpo técnico receberá um prêmio extra de US$ 600 mil caso a equipe seja campeã mundial. O prêmio será pago pela Federação Francesa de Futebol, pela Adidas (patrocinadora oficial da equipe) e por mais 30 empresas coordenadas pelo grupo Darmon.

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