Curitiba - Depois de o Brasil ter conquistado sua primeira medalha olímpica na maratona em Atenas-04, com o bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima, três brasileiros tentam amanhã, a partir das 20h30 (horário de Brasília), repetir a façanha. Para isso, além de enfrentarem os melhores atletas do mundo na modalidade, Marílson Gomes dos Santos, Franck Caldeira e José Teles de Souza terão que encarar outro obstáculo para chegar ao pódio após 42 quilômetros de corrida: a poluição em Pequim.
Dos três maratonistas, o que inicia a prova na China como candidato mais forte a medalha é o brasiliense Marílson. Não só pelo fato de ter conseguido o melhor índice entre os brasileiros que se classificaram para Pequim: 2h08min37, obtido em Londres, em abril de 2007. Mas principalmente por ter conquistado respeito internacional após vencer a maratona de Nova Iorque, uma das mais tradicionais do mundo, em 2006.
Apesar disso, o próprio Marílson não descarta a possibilidade de surpresas durante a prova. Ele chegou a afirmar que a disputa nesta Olimpíada será a ''maratona do vencedor sortudo''. Isso por causa do forte calor e da intensa poluição que os atletas devem enfrentar. Por isso, a chance de os outros dois brasileiros aparecerem entre os primeiros colocados não é descartada.
O piauiense Teles conseguiu a segunda melhor marca do País, com 2h12min23, em Milão, em dezembro de 2007. Já o mineiro Franck, que venceu a maratona no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, classificou-se para Pequim com a marca de 2h12min32, conseguida em Paris, em abril deste ano. Assim, superou em apenas 21 segundos o melhor tempo de Vanderlei Cordeiro, que sonhava com sua quarta Olimpíada (leia entrevista ao lado).
Isolamento
Para se preparar para os Jogos de Pequim, Marílson e Teles fizeram um período de treinos na altitude da Colômbia antes de partirem para a China. Franck Caldeira, no entanto, optou por treinar em seu Estado natal. ''Fiz o mesmo treino que fiz quando consegui o índice olímpico em Paris e antes do Pan do Rio. O isolamento nesse momento pode ser fantástico para alguns atletas. Fico mais tranquilo treinando sozinho, prefiro assim'', disse o mineiro à FOLHA, dias antes de embarcar para Pequim.
Apesar disso, Franck faz questão de declarar que este isolamento não significa que tenha divergências com os outros dois brasileiros da maratona. ''Me dou muito bem com o Marílson e com o Teles. O Brasil estará muito bem representado e no dia você une esforços. Quando um não tem condições, impulsiona o outro. Mas com cada um tentando conseguir o seu resultado e torcendo para que cada um alcance o seu sonho'', justifica o atleta.

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