O maratonista paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima foi ouvido ontem pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça. Junto do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o atleta reivindica a medalha de ouro e a anulação do bronze conquistado na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas. A decisão do julgamento deve ser anunciada entre quatro e seis semanas.
''Achamos que tudo foi muito bem conduzido pelos advogados do COB e esperamos que o resultado seja favorável a nós. O problema é quanto ao ineditismo do caso, o que não nos possibilita fazer qualquer previsão'', disse o técnico do atleta, Ricardo D'Angelo.
Os advogados Sérgio Mazzillo e Marcelo Franklin, responsáveis pela representação jurídica dos apelantes, concentraram sua exposição na suposta quebra de regulamento da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), que não teria proporcionado a segurança adequada ao primeiro colocado.
Vanderlei liderava com folga a maratona em Atenas quando foi segurado e atirado ao chão pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan, conquistando, mesmo assim, a medalha de bronze. A vitória, na ocasião, ficou com o italiano Stefano Baldini. O atleta e o COB agora pedem que o brasileiro receba o ouro olímpico, sem prejuízo para Baldini.
Para sustentar o argumento, Mazzillo e Franklin contaram com o depoimento de cinco peritos. Além dos especialistas em corridas, o 'anjo grego' Polyvios Kossivas serviu de testemunha, abrindo a sessão. Kossivas ajudou Vanderlei a se desvencilhar de Horan, quando o irlandês segurava o brasileiro no chão. O depoimento do medalhista de bronze veio por último.
''Fomos extremamente objetivos em nossa exposição e acredito que conseguimos demonstrar que houve essa quebra de regulamento da própria IAAF'', disse a superintendente jurídica do COB, Ana Luiza Pinheiro, que integra a comitiva brasileira em Lausanne.
O painel que aprecia o caso é composto por três membros indicados pelos envolvidos e a maioria dos votos vai determinar o resultado do julgamento. Vanderlei e o COB indicaram o advogado suíço Jean Pierre Morand, com bastante experiência em arbitragens perante a CAS. A Iaaf indicou o canadense Richard McLaren e o CAS apontou o advogado sueco Haj Hobér.

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