Maratona solidária
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segunda-feira, 01 de agosto de 2011
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
Ultramaratonista experiente, o paulista Carlos Dias, 38 anos, resolveu usar suas passadas para ajudar o Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer (GRAACC). Ele saiu no dia 24 de setembro do ano passado do Pavilhão de Exposição do Anhembi, em São Paulo, onde acontecia a Adventure Sports Fair, a maior feira de esportes de aventura do hemisfério sul, e espera completar no próximo dia 13, 18.250 quilômetros percorridos.
O projeto, de acordo com Dias, tem dois objetivos. O primeiro é divulgar o trabalho do GRAACC e o segundo é levantar fundos para a entidade. Cada quilômetro percorrido pode ser simbolicamente comprado pelo valor de R$ 2, que são revertidos para a entidade.
''Até agora, vendemos apenas 2,6 mil quilômetros. É muito pouco. Nos Estados Unidos, consegui vender todos os quilômetros. No Brasil, que é meu país, não consegui nem 20%. Mas a campanha continua e estou fazendo a minha parte'', disse Dias, que percorreu 5.130 quilômetros de Nova Iorque até São Francisco em nove dias, em 2009, em ação semelhante.
O ultramaratonista passou ontem por Londrina, onde completou 17.709 quilômetros do percurso. Aproveitou para descansar, cuidar das dores no corpo e relaxar para voltar hoje a pegar estrada. São em média 56 quilômetros diários de corrida. Ele fez um trabalho intenso de preparação física para alcançar seu objetivo.
Dias não conta com uma equipe de apoio para acompanhá-lo. É só ele, a mochila e o computador. Patrocínio? Também não tem. Conta com alguns apoios e a sensibilidade das pessoas por onde passa. Nesse período todo, pegou uma leve gripe e teve uma indisposição estomacal. O pior momento foi quando sofreu uma tentativa de assalto. ''O que estou aprendendo muito é que você tem usar seu conhecimento nos momentos adversos. Os amigos ajudam a atingir a meta. Se não tem quem incentiva, vai ficando fraco'', disse.
Com 18 anos de carreira, Dias se especializou em provas de 250 quilômetros. É o único sul-americano a cruzar os quatro desertos mais extremos do planeta - Gobi, na China, Sahara, no Egito, Antártida, no Pólo Sul, e Atacama, no Chile. Fez tudo isso em um ano. Em 2009, cruzou o Brasil do Oiapoque ao Chuí, correndo 9 mil quilômetrtos em 100 dias.
Pai de um garoto de quatro anos, ele conta não tem nenhum caso de câncer na família, mas que via a luta de pais para tratar dos filhos no próprio GRAACC e decidiu ajudar. ''Tenho saúde e meu filho também. Se tenho condições de percorrer essa distância, faço. É até uma obrigação minha de devolver o que o esporte me deu. É um esforço com atitude para diminuir as mazelas. A gente vive de discursos, mas de poucas atitudes. Tem muita criança que morre no Brasil porque os pais não conhecem o trabalho do GRAACC'', concluiu.
Quem quiser ajudar basta acessar www.carlosdiasultra.com.br e comprar os quilômetros.


