Nem mesmo com a certeza de que irá aparecer como número 1 do mundo na lista da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) do dia 29, o russo Marat Safin quis saber de comemorações. Para ele, uma boa campanha no Aberto da Austrália é mais importante do que ter roubado o reinado do brasileiro Gustavo Kuerten.
‘‘Antes de tudo, isto aqui é o Australian Open e todo mundo quer ganhar este título’’, disse. ‘‘Nestes próximos dias vamos ver quem está em melhor forma’’, prosseguiu. ‘‘Mas, para mim, ser número 1 no atual momento não é a coisa mais importante’’.
Safin retomou à liderança – que já chegou a ocupar em novembro do ano passado – , depois de passar, pela primeira vez na carreira, para as oitavas de final do Aberto da Austrália, com fácil vitória sobre a revelação checa Michal Tabara por 6/1, 6/1 e 6/4. O tenista russo já soma até agora na competição 150 pontos, enquanto Guga saiu do torneio com 35. Como a diferença entre os dois era de 75 pontos, o brasileiro perde a liderança.
‘‘Vamos ver como ando este ano, não fico vendo quantos pontos tenho de defender e estar coisas’’, disse. ‘‘Vou tentar ganhar o maior número de torneios em 2001, talvez não sejam sete, podem ser dois ou três apenas, mas vou para todas as competições com a vontade e motivação para vencer’’. A lista em que Safin irá aparecer como número 1 é a de Entradas, ou seja, o ranking mundial. Desde o ano passado, esta classificação computa resultados de 18 torneios – e não de 14, como há dois anos – e o tenista russo poderá também aparecer em primeiro na Corrida dos Campeões, o que unificaria os dois rankings.
Guga – Ainda com a derrota para Greg Rusedski – na segunda rodada do Aberto de Tênis da Austrália – atravessada na garganta, Gustavo Kuerten viveu um dia amargo, ontem, em Melbourne. Estava triste, saiu bem tarde do hotel, e para tentar melhorar o ânimo disse que ainda bem que logo será disputada a Copa Davis para ajudar ‘‘a levantar o astral’’.
O estado de Guga, poucas vezes tão abatido assim com uma derrota, talvez só comparada a eliminação de Roland Garros em 1998 para Marat Safin, mostra que o tenista tinha outra ilusão em Melbourne. Ele mesmo, no fim da tarde, revelou suas esperanças. ‘‘Era um jogo chave este com o Rusedski’’, definiu Guga. ‘‘Se vencesse acho que iria longe’’.
De cara muito triste, Guga não estava para muitas brincadeiras ontem em Melbourne. Mas, para não fugir de seu estilo descontraído, afirmou que espera superar esta fase rapidamente. ‘‘Acho que este sentimento passa logo’’, disse. ‘‘Já estou ansioso para começar a viver o clima da Davis e entrar num outro clima’’. Bem mais conformado estava o técnico Larri Passos. De bom humor, confessou que ficou contente com a atuação do pupilo e, como disse Guga, a derrota foi motivada por pequenos detalhes.
‘‘Vamos buscar energia com a Copa Davis’’, afirmou o técnico. ‘‘O Guga sempre ganha muita motivação quando joga a Davis’’. O catarinense também está convencido de que o confronto do Brasil contra o Marrocos, de 9 a 11 de fevereiro no Rio, poderá ser um bom remédio para fazê-lo esquecer do Aberto da Austrália. ‘‘Acho que temos boas chances’’, afirmou o tenista. ‘‘Quem sabe a gente não faz outra boa campanha neste ano, chegando novamente às semifinais’’.
Guga começa a sua viagem de volta ao Brasil hoje pela manhã. Vai descansar alguns dias e na quarta-feira reiniciar os treinamentos com o técnico Larri Passos. No início do próximo mês, vão para o Rio, onde se reunirão com a equipe brasileira da Copa Davis, formada ainda por Fernando Meligeni, Jaime Oncins e Alexandre Simoni, e pelo técnico Ricardo Acioly.

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