Johannesburgo - Há seis meses poucos apontariam a Argentina, de caminhada cambaleante nas Eliminatórias e cercada de dúvidas sobre a capacidade de Diego Maradona como treinador, como favorita ao título da Copa do Mundo de 2010. Mas a ''Albiceleste'' estreia na África do Sul hoje, às 11 horas, contra a Nigéria, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, cheia de moral e sob a expectativa de quebrar o jejum de 24 anos sem vencer o Mundial.

Ingredientes não faltam para explicar a mudança de perspectiva. O principal deles é a grande fase de Lionel Messi, eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 2009, artilheiro do último Campeonato Espanhol e capaz de decidir um jogo numa fração de segundo. A esperança é de que ele repita o sucesso que seu treinador teve em 1986, quando conduziu a Argentina à conquista no México.

''Desejo com todo meu coração que Lio (Lionel Messi) tenha um protagonismo bárbaro e que seja o melhor de todos os tempos definitivamente. Me encantaria que ele tenha o mesmo impacto que eu tive em 1986'', disse Maradona, que também colecionou resultados significativos nos amistosos de preparação para o Mundial, como a vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha, em Munique.

O ex-craque, por sua vez, estreará como treinador em Copas num jogo carregado de simbolismo. Foi justamente contra a Nigéria, em 1994, nos Estados Unidos, que ele disputou sua última partida em Mundiais. Após a vitória por 2 a 1 em Boston, o meia foi flagrado no exame antidoping por uso de efedrina e acabou suspenso.

Maradona continua polêmico como nos tempos de jogador. Antes da estreia, classificou o estilo de jogo da Nigéria como ''duro e áspero'' e pediu à arbitragem que coíba o jogo violento. A resposta do outro lado foi igualmente rude. ''Não sei o que exatamente disse ou não disse Maradona. Na verdade pouco importa. Me concentro no desempenho do meu time e não no técnico rival'', disse o comandante dos africanos, o sueco Lars Lagerback, que dirigiu a seleção de seu país nas duas últimas Copas.

Lagerback reconhece a vocação ofensiva da Argentina, que terá Messi, Tevez e Higuaín na frente e Di María chegando de trás, mas afirmou que a Nigéria sabe como jogar. ''Preparamos táticas diferentes para conter esse jogo ofensivo. Podemos nos beneficiar dos muitos espaços. Mas é muito difícil prever o desenrolar de um jogo. De qualquer forma, estamos preparados para tudo''.





EM JOHANNESBURGO

Argentina

Romero; Gutierrez, Demichelis, Samuel e Heinze; Mascherano, Verón e Di Maria; Messi, Higuaín e Tevez. Técnico: Diego Maradona

Nigéria

Enyema; Obiah; Afolabied, Yobo e Taiwo; Odemvingie, Etuhu, Lukman e Kaita; Aiyegbeni e Martins. Técnico: Lars Lagerback

Árbitro: Wolfgang Stark (ALE)
Estádio: Ellis Park
Horário: 11h (de Brasília)

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