Buenos Aires - O novo técnico da Argentina, Diego Maradona, negou ontem que sua equipe vá jogar como a Seleção Brasileira atual. "Eu não jogo como o Dunga. Dunga batia. Eu driblava", respondeu Maradona com um sorriso irônico a um jornalista brasileiro, que lhe perguntou se faria suas equipes jogarem como o time dirigido por Dunga.
Maradona rebateu as críticas que são feitas a ele devido à suposta inexperiência: "Acho graça dos que falam de minha inexperiência (como técnico). Tenho quase 20 anos na seleção argentina (como jogador). O futebol não mudou. A água quente já foi inventada. Não acredito que alguém me surpreenda com alguma coisa". O ídolo argentino, campeão Mundial no México-1986 diz ainda estar "muito tranqüilo, porque tenho a meu lado Carlos (Bilardo, novo diretor de seleções)", que o dirigiu naquela Copa do Mundo.
Segundo o presidente da Associação do Futebol da Argentina (AFA), Julio Grondona, a escolha de Maradona é uma tentativa de recuperar a mística da equipe. "O que eu gostaria que esta seleção tivesse? O mesmo que as seleções (campeãs) de 86 e 78. Que tenha sucesso, resultados e um bom nível competitivo", afirma o dirigente. A estréia de Maradona como técnico será no amistoso contra a França, em fevereiro, em Marselha. Mas não está descartada sua presença no banco contra a Escócia, em Glasgow, no dia 19 de novembro. Amistoso em que o time será dirigido por Sergio ‘Checo’ Batista, técnico das seleções de base que conduziu a Argentina ao título nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Maradona, que hoje completa 48 anos, volta a ter participação importante no selecionado argentino 14 depois de seu adeus como atleta, quando foi flagrado com efedrina no Mundial dos Estados Unidos-1994. Seu principal desafio será classificar a seleção para a Copa do Mundo da África do Sul-2010. "Há um antes e um depois de Maradona no futebol argentino", destaca Grondona.
Carlos Bilardo, que assessorará Maradona na nova missão, disse que "Diego merece dirigir a seleção, (mas) agora terá que demonstrar que pode ser técnico". O novo treinador substitui Alfio Basile, que renunciou depois de uma série de críticas ao desempenho da equipe nas Eliminatórias Sul-Americanas, em que a Argentina ocupa a 3ª colocação, com 16 pontos, atrás de Paraguai (23) e Brasil (17).

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