Maracanã perderá parque aquático e de atletismo
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Agência Estado 
Rio - A administração do Maracanã e de seu complexo promete ser muito lucrativa para a empresa que vencer a licitação da concessão do estádio e de suas instalações anexas, cujo edital será lançado após consulta pública a ser realizada no dia 8 de novembro. No entanto, o consórcio vencedor precisará investir perto de R$ 470 milhões em intervenções. A principal delas será a demolição e reconstrução em outro local do Parque Aquático Júlio Delamare e do estádio de atletismo Célio de Barros.
Este é um ponto nevrálgico do projeto, que entregará o Maracanã à iniciativa privada por um período de 35 anos. Ele foi concebido a partir de um estudo feito no início do ano pela empresa IMX Holding AS, do empresário Eike Batista, um dos interessados na concessão. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) já manifestou insatisfação com as demolições. "Espero que isso não aconteça", disse Coaracy Nunes, presidente da CBDA. "É evidente que sou contra, mas tenho que me inteirar do projeto para tomar uma posição definitiva".
Durante o anúncio da convocação da audiência pública, o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, argumentou que as novas instalações serão mais modernas e funcionarão como centros de treinamento de ponta para os Jogos Olímpicos de 2016. "Não queremos construir estádios para competições, pois teremos grandes equipamentos construídos para a Olimpíada. As novas instalações terão academias, salas de fisioterapia e vestiários modernos", disse o secretário.
Para Coaracy, porém, o Estado está jogando dinheiro fora: "O Júlio Delamare está novinho em folha. Uma reforma feita pelo governador Sérgio Cabral", apontou o dirigente.
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta, também se mostra preocupado. "O governo do Rio deve assegurar que um novo estádio seja construído antes da demolição do Célio de Barros. Vamos apresentar a proposta para que esta exigência conste do contrato", disse o cartola, com um alerta. "Quantas promessas não são cumpridas?"
O consórcio vencedor receberá o Maracanã completamente reformulado para a Copa do Mundo de 2014 e o governo do Estado estimou que todo o novo complexo, que incluirá ainda um Museu do Futebol, lojas, bares, restaurantes, escritórios e estacionamentos para dois mil carros, possa gerar R$ 154 milhões em receitas anuais, contra R$ 43 milhões em despesas, além do pagamento de uma outorga de, no mínimo, R$ 7 milhões por ano. Segundo a secretária estadual de Esporte e Lazer, Márcia Lins, o antigo Maracanã consumia cerca de R$ 9 milhões anuais e rendia R$ 15 milhões entre 2007 e o seu fechamento em 2010.
Clubes
Um dos pontos importantes do contrato de concessão é o impedimento de que um clube, isoladamente, administre o Complexo do Maracanã e caracterize o estádio com suas cores e símbolos. Nada impede, porém, que um clube firme parceria com uma empresa para mandar seus jogos no Maracanã, desde que não haja exclusividade e outros times - e a seleção brasileira - possam atuar na nova arena.
Outra proibição é a utilização de "naming rights" no estádio. O nome Maracanã tem de ser preservado. No entanto, as outras estruturas do complexo, incluindo o Maracanãzinho, poderão ser renomeadas. Está garantida também a cessão da administração do local à Fifa durante três meses, para a realização da Copa de 2014, e ao Comitê Olímpico Internacional (COI), durante quatro meses, para os Jogos de 2016.
A ideia do governo é de que todo o processo esteja concluído ainda no primeiro semestre de 2013 e que o consórcio vencedor assuma a gestão do complexo antes mesmo da Copa das Confederações. O Maracanã está com 70% de sua reforma concluída e tem previsão de finalização em fevereiro do ano que vem.


