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Esporte

m de leitura Atualizado em 18/01/2022, 20:42

Máquina de fazer gols na base do Palmeiras, Endrick é a maior aposta do clube (1)

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de janeiro de 2022

ALEX SABINO
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Endrick entrou na sala de João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do Palmeiras, em outubro do ano passado. Ao lado do meia Luis Guilherme, fez um pedido para o dirigente: a liberação para a dupla disputar a Copa Nike, torneio sub-15 que ocorreria no mês seguinte.

"Tudo bem. Mas, se não ganharem, eu vou raspar a cabeça de vocês", foi a resposta do dirigente.

A dupla de 15 anos estava no sub-20 e aceitou a aposta. O Palmeiras venceu o torneio e goleou o Corinthians na final por 5 a 0. Luis Guilherme fez três gols, e Endrick, um.

A dupla é a grande aposta da base da equipe alviverde e foi inscrita na Copa São Paulo, uma competição sub-21. Endrick já anotou quatro vezes e se tornou uma das atrações do torneio. Desde a estreia de Neymar, também aos 15 anos, em janeiro de 2008, um jogador tão jovem não chama tanto a atenção.

"Endrick é uma força da natureza. Você não consegue pará-lo", afirma Sampaio, o responsável por apostar no garoto, que na época tinha 11 anos. Até o início da Copinha, ele tinha 165 gols em 169 partidas pelo clube. Na maior parte desse tempo, atuou em categorias acima de sua idade. A ideia era ele se sentir desafiado.

Aos 14, foi levado ao sub-17. Aos 15, para o sub-20. Já treinou com os profissionais, chamado por Abel Ferreira.

"Ele não pode atuar no Brasil, mas pode jogar o Mundial. A torcida ficaria louca com isso. Já brinquei com outras pessoas dizendo que é o cenário ideal", afirma Wagner Ribeiro, que tem sido chamado de assessor do pai de Endrick.

A frase do agente (que não pode ser chamado de empresário do atacante, que ainda não tem acordo profissional) brinca com o fato de a posição de centroavante ser a mais carente do elenco profissional.

Endrick pode ser inscrito no Mundial do próximo mês, mas só pode jogar pelo elenco principal no Brasil quando completar 16 anos e assinar o primeiro contrato profissional. Isso vai ocorrer apenas em julho. Por enquanto, o Palmeiras tem um documento de clube formador.

É pouco provável que Ferreira aposte em um menino de 15 anos na competição mais importante da equipe em 2022. Por mais talentoso que ele seja. É possível, por enquanto, que o camisa 9 ajude o Palmeiras a buscar outro título inédito: o da Copa São Paulo.

Na semana passada, ele teve resultado positivo em teste para Covid-19, mas não apresentou sintomas e foi liberado para voltar nas oitavas de final, vitória por 2 a 1 sobre o Internacional. A agremiação gaúcha pediu os pontos do confronto porque o protocolo contra a pandemia não teria sido seguido.

Se nada mudar, nesta quarta-feira (20), Endrick estará em campo pelo Palmerias contra o Oeste, às 19h, em Barueri, por uma vaga na semifinal.

Na teoria, qualquer rival poderia tirar a promessa de craque do Palestra Itália. Mas, se for para o exterior agora, só poderá atuar aos 18 anos. Se um brasileiro quiser contratá-lo, terá de pagar, segundo Sampaio, R$ 20 milhões.

"O principal é que o garoto, a família dele e os empresários não querem tirá-lo daqui", completa o coordenador da base.

O Palmeiras apostou no talento de Endrick quando adversários do estado tiveram dúvidas. O atacante já era considerado um talento precoce em Brasília, onde morava. Foi observado pelo São Paulo e chegou a fazer parte de um programa de treinamento do time.

Seu pai, Douglas Souza, pediu para a agremiação do Morumbi dar uma chance ao seu filho nas categorias de base. Mas avisou que a família precisava de ajuda de custo e ele, de um emprego para se mudar. O São Paulo ofereceu R$ 150 mensais. O Santos, nem isso. Respondeu apenas não trabalhar dessa forma.

Sampaio o observou em vídeo enviado por um empresário e resolveu que valia a pena apostar. Os pais de Endrick trabalhavam no estádio Mané Garrincha, e as condições econômicas eram difíceis. Douglas contou em entrevistas sobre dias em que o filho pediu algo para comer e não havia nada em casa.

O Palmeiras aceitou levá-los para a capital paulista, dar ajuda de custo e um emprego para o pai. Ele foi contratado como faxineiro na Academia de Futebol. Com os gols marcados pelo garoto nas categorias de base, logo ficou conhecido como "pai do Endrick" e fez várias amizades. O goleiro Jailson (agora sem clube depois de rescindir contrato com o Cruzeiro) pagou seu tratamento dentário.

Quando o centroavante sofreu lesão logo nos primeiros meses no clube, não se tratou no departamento amador. Recebeu o mesmo cuidado dado aos profissionais. A fisioterapia foi realizada no centro de treinamento. Na última visita de Gabriel Jesus (o último grande camisa 9 revelado pelo time), o Palmeiras arranjou um encontro entre os dois.

"Endrick sempre foi muito humilde. A família dele é a mesma coisa. Nunca foi um guri que se achou. Sempre despertou a atenção, teve patrocínios e nunca se deixou levar por isso. É o mesmo de quando chegou", diz Sampaio.

Douglas não trabalha mais na Academia de Futebol e abraçou a carreira de pai de um possível futuro craque. Mantém os amigos no clube, mas sabe que a atenção de empresários, o primeiro contrato profissional com a equipe e as marcas interessadas em patrocinar o artilheiro vão mudar a vida da família. Endrick já tem acordo com a Nike.

O interesse do exterior se tornou inevitável. A imprensa espanhola já o chamou de "novo Vinicius Junior".