Mão Santa da bocha é estrela dos JAPs
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Entre os vários "tiozinhos" que caracterizam as disputas de bocha nos Jogos Abertos do Paraná (JAPs), um bochófilo em especial foge do estereótipo. Mais jovem e descolado usa brinco na orelha esquerda -, André Backes, 39 anos, chama a atenção por outro motivo. É a estrela da competição, já que é o único campeão mundial na cancha. Mesmo sem atuar profissionalmente há cinco anos, o "Mão Santa" da bocha continua com a mira e a mão calibradas.
Gaúcho de Erechim, Backes mora em Ponta Grossa, onde atua como administrador na construção civil. Divide a rotina entre as finanças nas obras e a equipe de bocha do município de Teixeira Soares, pelo qual disputa a divisão B dos JAPs. É a referência da equipe. "Para nós é um orgulho jogar com ele. Nos comanda, nos orienta, aprendemos muito", afirmou o companheiro de time, Aldori Daga, de 49 anos.
Backes foi campeão mundial de clubes em 2006, com a equipe do Círculo Militar de São Paulo. No ano seguinte, foi vice-campeão do mundo com a seleção. Foi nas duas competições que ganhou o apelido de "Mão Santa", em referência ao ex-jogador de basquete Oscar Schmidt. Nos dois campeonatos, a equipe de Backes fazia jogos decisivos contra a Itália. Nas duas oportunidades, os jogos estavam empatados em 14 a 14 e a bola decisiva estava com ele. Se acertasse a mão dava a vitória ao time. Se errasse, perderia o jogo. Em ambos os casos, o lançamento foi preciso, perfeito e as comparações foram inevitáveis.
Mas essa precisão toda, segundo ele, era resultado de muito treino enquanto foi atleta profissional. "A bocha competitiva é treino e isso é o que menos faço hoje. No auge, treinava oito horas por dia. Hoje treino oito horas por ano. Já faz cinco anos que diminui o ritmo. Nos últimos dois anos deixei de treinar", contou. "Hoje, tenho noção do que estou fazendo, mas não a precisão de antes. Tenho a consciência do que quero fazer, mas a execução mudou".
Mesmo sem a mesma "mão santa" de antes, Backes ainda é bastante assediado nas competições e lida bem com isso. "Muita gente me pede dicas e isso é legal. Poder passar tudo o que vivi na bocha para um colega, ainda que seja um adversário, é gratificante", apontou.
Por outro lado, convive com a pressão de quem já foi melhor do mundo para decidir os jogos. "A responsabilidade ainda pesa. Todo mundo tem a esperança de que vou decidir e fico sobrecarregado. Hoje, na realidade, não deveria ter essa responsabilidade mais", apontou Backes, que ajudou sua equipe a conquistar o título, na final realizada ontem à tarde contra a equipe de Itaipulândia, na Associação Amigos da Bocha Sul-Americana, em Londrina.
Profissionais
Apesar de não ser uma modalidade popular no sentido de divulgação, há atletas que vivem profissionalmente do esporte. Backes joga desde os sete anos de idade e durante 15 anos de carreira viveu exclusivamente da bocha. Chegou a ter salário de R$ 5 mil. "No Brasil, tem uns 15 jogadores que conseguem ter um salário desses. Clubes de Santa Catarina e São Paulo pagam um bom salário. Tem uns 200 jogadores brasileiros que hoje vivem só da bocha", relatou.


