Como não sofrer muito com o futebol? Como aceitar ver o clube de coração eliminado do campeonato, após uma bonita campanha?
Com o passar dos anos, fui elaborando um código de conduta pessoal para amenizar os dissabores do torcedor que todos somos.
Lembrar, antes de cada embate importante, que afinal estamos lidando com uma simples prática esportiva, de cujo resultado a sorte do espectador não depende. Se o resultado de um jogo traz prejuízos ou lucros, isso interessa apenas aos atores principais: jogadores, patrocinadores, anunciantes, dirigentes, meios de comunicação.
Procurando fixar-me em raciocínios assim, aos poucos fui aprendendo a aceitar melhor os reveses do futebol e – pela mesma razão – festejar com mais comedimento as vitórias do meu clube ou da Seleção.
Já em decorrência do ato de contrição preventivo, a derrota em 98 foi bem mais palatável do que, por exemplo, em 78 e 82.
A final da Copa de 50 – como todos sabem – foi um dia de comoção nacional. Menino ainda, numa idade em que as emoções duram pouco, não deixei de vivenciar o luto que tomou conta de todos os lares brasileiros, inclusive o meu (o chefe da família, meu pai, fanático por futebol e são-paulino roxo, foi o único dos adultos que não sofreu muito: seu coração palpitava, na verdade, por outra seleção, a da distante Espanha da infância, já fora do páreo).
Vi, num festival de curtas-metragens em São Paulo, o premiado filme ‘Barbosa’, sobre a vida do famoso goleiro, e também sobre o fantasma de 50 que até hoje o persegue. O filme resgata fortíssimas imagens em preto-e-branco do Maracanã, antes e após o gol decisivo do Uruguai.
Voltando a Londrina destes dias de Pré-Olímpico, aviso que já pus em prática uma série de normas, dentro do ‘Manual do Torcedor Tranquilo’ que me impus, esperando, no entanto, que a partir de agora só haja alegrias a serem trabalhadas.
E um último aviso familiares que assistem aos jogos comigo: o pedido para que usem palmas em vez do grito de Gol! fica temporariamente suspenso.
- PAULO LOURENÇO é advogado, bancário aposentado e co-autor do livro de crônicas ‘Diário de Moby Dick’.

GORDURA A MENOS
Quantas pessoas cabem mesmo no Estádio Olímpico de Cascavel? A polêmica não terminou, mesmo com medição feita pela prefeitura. Pelos novos cálculos, pouco menos de 30 mil torcedores; pelos cálculos do arquiteto que projetou o estádio (em 1982), 45 mil – e ele não se conforma com o ‘‘emagrecimento’’. Por isso, nova medição deverá ser feita. A dúvida é entre usar como parâmetro 40 ou 60 centímetros quadrados por pessoa – mas aí vai também da ‘‘gordura’’ ou ‘‘magreza’’ de cada um...

CARINHO A MAIS
Os técnicos José Pekerman, da Argentina, e Hector Veira, da Bolívia, se encontraram na sala de imprensa, em Cascavel, após a partida da última terça-feira e trocaram abraços, beijos e felicitações. Veira colocou as duas mãos no rosto de Pekerman e apertou diversas vezes a bochecha do treinador vencedor. Finalmente falou que os argentinos mereceram a vitória pela determinação e garra dos jogadores.

EM CIMA
Fiscais da Prefeitura de Cascavel estão em todas as catracas dos portões do Estádio Olímpico. Eles acompanham a entrada dos torcedores e, terminada a rodada, saem com cópia do borderô da CBF, para que o município possa, depois, cobrar religiosamente o ISSQN – de 5% sobre a renda.

BESAME MUCHO
A derrota para o Uruguai por 1 a 0, anteontem à noite, tirou o treinador do Paraguai do sério. Após a partida, Raúl Amarilla estava tão irritado, mas tão irritado, que não quis papo com nenhum jornalista paraguaio. Gazetou a tradicional coletiva após o jogo e foi grosso quando radialistas tentaram uma entrevista. No hotel, o técnico refugiou-se no quarto e saiu somente no dia seguinte para o café da manhã.

GANCHO
O jogador boliviano Raúl Justiniano foi suspenso por dois jogos na última reunião da Comissão Disciplinar da Confederação Sul-Americana de Futebol. O volante do Blooming recebeu a punição após ter insultado verbalmente o árbitro Henry Cervantes (Colômbia) no jogo de terça-feira à noite (Argentina 2 x Bolívia 0) – partida disputada em Cascavel e válida pela quarta rodada do grupo B do Pré-Olímpico. A equipe boliviana já está eliminada do torneio – perdeu também para o Paraguai por 3 a 1 e para o Uruguai por 2 a 1 – e joga no sábado contra o Peru apenas para cumprir tabela.

DE FOLGA
A Seleção do Equador, que folgou na rodada de ontem do Grupo A, treinou à tarde no campo do PSTC, em Londrina. À noite, os jogadores e a comissão técnica foram até o Estádio do Café assistir a Brasil x Venezuela. Com três derrotas em três partidas, o Equador se despede do Pré-Olímpico no domingo, jogando contra a Venezuela e quer fazer uma boa partida. ‘‘Respeitamos a Venezuela, mas estamos animados e queremos ganhar’’, disse o técnico equatoriano Nelson Encalada.

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