Consciente da importância de preservar a biodiversidade na Serra do Mar, principalmente em sua via mais movimentada, a Estrada da Graciosa, o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), realiza um trabalho de educação ambiental junto aos motoristas. Neste verão, o trânsito na Graciosa aumentou muito em função dos altos preços cobrados no pedágio da BR 277, que liga a capital ao litoral paranaense. A enorme quantidade de veículos transitando causa um perigoso impacto ambiental na região. O lixo que as pessoas jogam na serra e o intenso ruído dos motores afugentam os animais e trazem à flora a ameaça: orquídeas, jasmins e demais flores são arrancadas e levadas pelos ineptos turistas. O IAP se concentra nos postos policiais, distribuindo folhetos explicativos e recomendando aos motoristas posturas corretas ante a nossa querida Serra do Mar.
A Estrada da Graciosa, originada de uma trilha utilizada pelos índios do litoral que na época da colheita do pinhão subiam até o planalto, foi construída durante o império e urbanizada por Airton Cornelsen na década de 1950, dividindo o primeiro planalto paranaense e a planície costeira.
O Parque Estadual da Graciosa faz parte, juntamente com outros três, Parque Estadual Pico do Marumbi, Parque Estadual Roberto Ribas Lange e Parque Estadual do Pau Oco, da Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi, abrangendo uma área de 66,7 mil hectares, a maior área contínua de Floresta Atlântica protegida do Brasil.
A Serra do Mar faz parte da Floresta Intertropical que abraça o planeta nas proximidades da linha do Equador; hospeda 50% das espécies terrestres ocupando apenas 7% da superfície do globo. Um patrimônio ecológico que detém o maior índice de diversidade biológica da Terra.
Em meio a este paraíso cresceu o Norberto, um simpático senhor que atendia a nossa equipe após a descida noturna da Graciosa, no Hotel Dona Siroba, em Porto de Cima. O barro das nossas roupas e bicicletas fez o homem coçar a grisalha cabeça e viajar no tempo. Com olhos nostálgicos, lembrou-se das aventuras de garoto, que com sua turma subiam suas pesadas bicicletas da época o mesmo trajeto que acabávamos de percorrer: ‘‘Depois do futebol, era o esporte que mais gostávamos. Às 4 horas da manhã empurrávamos as bicicletas serra acima até chegar num bar que havia. Tomávamos um copão de café – naquele tempo só se usavam xícaras para a bebida – arrancávamos uns galhos grandes, brecando as magrelas ao pressioná-los no chão, já que os precários freios não davam conta do recado, e descíamos a mil, ultrapassando carros, vagarosos naqueles dias. Os eixos das rodas ardiam! Ficavam vermelhos...’’ (A.B.)

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