Mantendo a saúde até debaixo dágua
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sábado, 23 de maio de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Já pensou em apostar uma corrida dentro dágua. Pode parecer estranho, mas é a nova onda em treinos e fases de recuperação de lesões de atletas. Seu nome original é deep water running e foi inventado na década de 70, nos Estados Unidos, como uma ferramenta para reabilitação física. Quando lesionados, não podiam se submeter aos esforços das corridas em pistas normais. Para não ficarem longos períodos parados eram colocados para correr dentro da água, conta o professor de educação física Rafael Souza Oliveira, sobre a origem do esporte.
Hoje a prática do deep running ultrapassou os centros de treinamentos e já é uma tendência em academias de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. A exemplo de outras atividades físicas, os primeiros testes são feitos entre atletas e na sequência ganham adeptos do grande público. Por ser debaixo dágua, não ocorre nenhuma considerável sobrecarga de peso sobre as articulações, completa. Segundo Oliveira, a modalidade de corrida dentro dágua também abre aos obesos a possibilidade de praticar algum exercício sem comprometer o sistema cardiorespiratório.
O tratamento de obesos, que pretendem emagrecer, é uma dos nichos promissores que podem ser desenvolvidos a partir deste esporte. Atividade possibilita a eles se submetam a um esforço maior sem comprometer as articulações por causa do excesso de peso, justifica. Ele explica que o sobrepeso degrada as articulações de tornozelo, joelho e coluna. É por essa razão que uma pessoa muito pesada não tem condições de fazer uma longa caminhada, aponta.
Dentro deste contexto, o deep running também proporciona a execução de exercícios mais puxados, devido ao dispêndio energético gerado pela resistência da água. Atletas de ponta já fazem deep running para aumentar o rendimento mesmo quando não lesionados. Isso melhora a força muscular e aumenta a velocidade, sem sobrecarregar as articulações, exemplifica.
O professor cita um artigo científico publicado no jornal da Unicamp, datado de maio de 2005, onde uma pesquisa feita com mulheres de meia-idade e sobrepeso mostrou que o deep running reduziu em 2,5% seu percentual de gordura. Foi uma série de treinamentos que durou 17 semanas. É um dos estudos mais completos existentes no Brasil sobre o assunto, exemplifica.
A estrutura para a prática do esporte é enxuta. É necessário uma piscina de 2,20 metros de profundidade e entre 10 e 12 metros de extensão, flutuadores na forma de coletes, a temperatura da água próxima dos 28 graus e 50 minutos de atividades são suficientes para fazer o deep running. Tem que levar em conta que o exercício não pode ser feito com os pés no chão. O contato deve ser o mínimo possível para atingir uma biomecânica igual a da corrida em solo, detalha Oliveira.
O professor explica que é importante fazer uma avaliação física com cardiologista ou médicos especialistas antes de fazer qualquer atividade esportiva para saber se está apto e a regra também vale para o deep running. É uma boa opção para quem quer perder peso ou ganhar resistência cardiorespiratória. Está aberto também para quem não é atleta profissional e está interessado apenas na atividade em si, finaliza.


