Xangai - Era apenas uma questão de tempo. Desde que Kimi Raikkonen deixou a disputa do Mundial, em algum momento o finlandês sabia que teria de retribuir o ''favor'' a Felipe Massa que lhe rendeu o Mundial em Interlagos, no ano passado. O dia de pagar a dívida foi ontem, em Xangai. Após o GP, na reunião com dirigentes e engenheiros da Ferrari, o brasileiro agradeceu o companheiro.
E, apesar das críticas da imprensa inglesa, que vaiou a manobra na sala de imprensa, o finlandês mostrou-se indiferente. ''Nós tomamos nossas próprias decisões e eu tomei a minha'', afirmou Raikkonen, que completou 29 anos na sexta.
''Deixei o Felipe passar porque eu quis e isso não teve nada a ver com equipe. Isso não muda em nada minha situação nesta temporada'', completou. A ''ultrapassagem'' dominou as conversas pós-corrida no paddock e foi tema obrigatório nas entrevistas.
Para Massa, foi só uma atitude profissional. ''Trabalhamos para uma equipe e fazemos o melhor que podemos'', disse o brasileiro.
Stefano Domenicali, chefe da Ferrari, ficou irritado ao ser questionado sobre qual seria a diferença da corrida de ontem e a da Áustria, em 2002, quando Rubens Barrichello foi obrigado pela escuderia a ceder a vitória para Michael Schumacher.
''Vocês não se lembram do que aconteceu no GP da Alemanha, que ninguém reclamou, entre o (Heikki) Kovalainen e o (Lewis) Hamilton?'', questionou o italiano, sobre a prova em que o finlandês cedeu seu lugar ao colega de McLaren, em julho. ''Os pilotos sabem qual o interesse do time sem que ninguém tenha que dizer nada'', acrescentou Domenicali.
Até o próprio Hamilton afirmou que a manobra foi ''normal'', considerada a situação no Mundial de Pilotos. ''Não há muito o que dizer. Eles são um time, e sei que se fosse comigo e o Heikki tivesse liderando, ele faria a mesma coisa'', declarou o líder do Mundial, que pode, aos 23 anos, tornar-se o mais jovem campeão da F-1. ''Isto é jogar em equipe e a Ferrari obviamente fez um grande trabalho''. (Folhapress)

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