Porto Alegre - Gaúcho, com muito orgulho. Mais uma vez, como sempre fez ao longo da história, o Grêmio está mostrando que é um clube realmente forte quando recorre às raízes riograndenses. Assim como nas outras vezes que montou equipes vencedoras, o time dos pampas chega à decisão da Copa Libertadores de 2007 dirigida por um treinador da escola gaúcha. E no melhor estilo consagrado por Ênio Andrade, Felipão e companhia: pouca técnica, mas muita raça.
''Se precisar jogar um futebol que agrade um pouco menos para vencer a Libertadores, vou fazer. Não penso em abrir mão da vitória por jogar um pouco mais ou um pouco menos bonito'', explica Mano Menezes, sobre sua filosofia de trabalho.
Aliás, beleza no futebol é algo bem relativo para o técnico gremista. ''Marcar bem também é bonito. Para mim, excelência no futebol é executá-lo com eficiência em seus diversos fundamentos'', analisa. ''Na partida que fizemos contra o Santos em Porto Alegre, por exemplo, jogamos bastante bonito'', comenta.
Com esse modo de pensar, Mano é o novo expoente da respeitada escola gaúcha de técnicos. Escola que faz sucesso no Grêmio: dos nove títulos mais importantes da história do clube (1 Mundial, 2 Libertadores, 2 Brasileiros e 4 Copas do Brasil), oito foram conquistados por treinadores gaúchos. Apenas a Copa do Brasil de 1997 teve um ''estrangeiro'' no comando do Grêmio, o carioca Evaristo de Macedo.
''A escola gaúcha de comando é muito admirada, inclusive por mim. Tenho orgulho em fazer parte dela'', considera Mano. ''E na minha opinião, a maior referência dessa escola é o Ênio Andrade, que foi campeão no Inter, no Grêmio e no Coritiba, sempre com time medianos'', lembra. Além do 'Seu Ênio', Mano também cita outro gaúcho como inspiração: Luiz Felipe Scolari.
Seu estilo lembra em muitas coisas o de Felipão, mas o temperamento, mais sereno, tem a ver com o do carioca Paulo Autuori, outro guru de Mano. ''Trabalhei com o Paulo em 97 e aprendi muita coisa com ele. É um profissional que se faz respeitar dentro da sua linha de conduta e que sempre valoriza o trabalho do grupo em detrimento do individualismo'', ensina.

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