Wroclaw, Polônia - Kaká chegou à seleção brasileira depois de dois anos com a promessa de que iria trazer experiência e identidade ao grupo. Mas seu primeiro treino com o grupo, ontem, também viu um jogador que não hesita em mandar seus recados. O meia criticou a cobrança por resultados imediatos na seleção, insinuando não estar de acordo com as vaias recebidas pela seleção nos jogos no Brasil e adotando um discurso diferente ao de José Maria Marin, presidente da CBF, que já deixou claro que sua avaliação sobre a seleção é baseada em resultados.
"Vejo muito hoje a busca por resultado. Quando dá, está bom. Quando não dá, está ruim. Claro que no final é isso que vai contar, mas como trabalho geral não precisa ser assim", disse Kaká. Nos três amistosos realizados no Brasil, a seleção foi duramente criticada e vaiada. O técnico Mano Menezes chegou a ouvir gritos pedindo por Felipão. "Tem de pensar no que se acrescenta mais", declarou Kaká, pedindo que se julgue a seleção não apenas por jogos individuais, mas pelo resultado na Copa de 2014. "Depois, na Copa, obviamente que vai ser contado o resultado final", declarou.
O discurso também difere da posição adotada no início do mandato de Marin, há seis meses. O cartola não escondia que a permanência ou não de Mano Menezes ou da comissão técnica estava condicionada aos resultados. Concentrada na Polônia, a seleção joga nesta quinta na Suécia contra o Iraque, no primeiro de dois amistosos na Europa.
O grupo vive um momento de extrema pressão por mostrar um bom futebol e começar a definir um conjunto que possa disputar a Copa do Mundo de 2014 com chances de vencer. Nesta terça, em seu primeiro treino na Europa, Mano Menezes deixou claro que quer uma seleção ofensiva e criativa. O treinador optou por escalar no time principal Oscar no meio de campo. Conhecido como "Kakazinho" em seu início no São Paulo, Oscar será quem jogará com a camisa número 10 da seleção e justamente ao lado de seu ídolo, o próprio Kaká.
Na busca por um equilíbrio entre os jovens e os mais experientes, o anúncio de que Oscar seria titular e que jogaria com a 10 veio estrategicamente do próprio Kaká. "Oscar é hoje o camisa 10 da seleção", disse em relação ao meia que chegou já mostrando personalidade no Chelsea e chamando a atenção da Europa. Se Kaká puxaria jogadas mais pela esquerda, Oscar adotava um tom mais pausado pela direita.
Além de um meio de campo com o objetivo de ser criativo, o quarteto ofensivo foi ainda completado por Neymar e Hulk. Na retaguarda dos dois meias, Mano Menezes posicionou dois apoiadores, Ramires e Paulinho. A presença de Kaká e Oscar em campo tornou as comparações inevitáveis. O meia do Real Madrid não poupou elogios ao novato. "Oscar tem um futuro muito promissor. Se é igual ou diferente a mim, isso eu não sei. Só espero que tenha muito sucesso", disse.
Para Kaká jogar, Lucas, que foi titular nos últimos jogos da Seleção, ficará na reserva. Mas dividirá quarto com o meia do Real Madrid.

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