Mano Menezes: técnico que une o estilo disciplinador e amigo
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sábado, 02 de julho de 2011
Paulo Galdieri e<br>Sílvio Barsetti <br> Agência Estado 
Campana, Argentina - Luiz Antônio Venker Menezes precisou de mais de quatro décadas para se tornar o técnico com a missão de conduzir o país mais laureado no futebol à missão de ganhar a próxima Copa do Mundo disputada dentro de sua casa. Um longo caminho, que inclui uma carreira obscura como zagueiro antes de se enveredar pela profissão de técnico. Mas, durante esse tempo todo, ele nunca deixou de ser o ''Mano''. O apelido, ele ganhou assim que nasceu, de sua irmã mais velha, que dizia ter chegado o ''mano'' dela. Mas nunca uma alcunha cairia tão bem em alguém como o ''técnico Mano''.
Foi graças a seu estilo, uma mistura entre os tradicionais ''disciplinador, especialista tático e amigão dos boleiros'', que ele chegou ao cargo mesmo sem ser o preferido do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O comportamento dele à beira do campo e sua postura em entrevistas e compromissos oficiais disfarçam bem o verdadeiro comportamento dele como treinador. Ao longo de seus anos no futebol, Mano aprendeu a se embrenhar por todos os setores que compõem o futebol.
Mano sabe como poucos cativar seus comandados, ao mesmo tempo que consegue fugir do estilo bonachão motivador. O técnico da seleção brasileira sabe ser, ao mesmo tempo, o boleiro que transita bem entre os atletas e o disciplinador que passa a imagem de possuir conhecimento tático que tanto cativa os dirigentes. Consegue, também, manter uma relação aberta com seu agente, a despeito de ser talvez a única coisa que consiga arranhar sua imagem construída em torno da seriedade e educação com que trata a todos que lhe abordam.
Bem de perto, Mano é muito mais descontraído do que faz parecer em suas explicações sobre posicionamento tático dos times que dirige. O comercial de cerveja que fez depois de se tornar treinador do Brasil, em que aparece à vontade, sorrindo com um copo na mão, é muito mais próximo do comportamento dele no dia a dia. O bom humor e a postura cordata fazem dele um personagem agradável de se conviver.
São comuns as aparições dele no salão restaurante do hotel no período de descanso, onde não se importa de ser rodeado por pessoas, a quem lhes conta sobre suas convicções táticas e se diverte relembrando ''causos'' que viver como jogador e como treinador em início de carreira no interior do Rio Grande. Uma mudança radical para a seleção, quando comparado com seu antecessor no cargo, Dunga, a quem poucos suportavam no final de sua trajetória como chefe do time nacional.
No campo, o comportamento é bem mais concentrado. Mano costuma reunir seus jogadores no centro do gramado para conversas. Passa com um por um o posicionamento que espera que seus atletas ocupem. Não é de parar treino, muito menos de gritar. Quando detecta algo fora do que esperava, chama o jogador, lhe passa o que quer que mude. Tudo em tom de voz inalterado - naturalmente grave e com o sotaque característico do Sul, mas jamais demonstrando irritação. O estilo dele como treinador fica entre os berros e o alto poder motivacional de Luiz Felipe Scolari e a pose de estrategista e profundo conhecedor de futebol que acompanha Vanderlei Luxemburgo.
Agora, a partir deste domingo, quando acontece a estreia na Copa América, o estilo Mano de dirigir um time começa a ser colocado à prova, em sua primeira competição oficial como técnico da seleção brasileira. E só o tempo dirá se ele consegue repetir feitos nos clubes, onde fez tanto sucesso.


