São Paulo - Irônico, irritado. Mano Menezes até interrompeu jornalistas em uma entrevista coletiva, nesta sexta-feira, quando garantiu que, mesmo em meio à crise, não pedirá demissão. Mas deixou claro: o presidente Mário Gobbi deve ficar à vontade se quiser mandá-lo embora. Em uma reunião com o dirigente, no dia seguinte à derrota para o Atlético Mineiro por 4 a 1, o treinador chegou a colocar o cargo à disposição.
"Eu comuniquei a ele (presidente) que não vou abandoná-lo, mas disse para que ele (Gobbi) ficasse à vontade se quisesse tomar outra decisão. É assim que acontece. Somos amigos, mas não somos compadres. Só pedi demissão uma vez na vida, em caráter excepcional (no Flamengo)", afirmou o treinador.
Mano Menezes concedeu entrevista na sala de imprensa do CT Joaquim Grava. Do lado de fora, houve novos protestos por parte da torcida pedindo a sua saída.
O técnico chegou a se irritar com a série de perguntas sobre a sua possível demissão e não quis admitir que está fora do clube em 2015. E também não gostou quando um repórter relembrou a sua comemoração do gol do Corinthians no primeiro jogo da quartas de final contra o Atlético Mineiro. "Acho isso ridículo. Que se dê importância para isso, que dê cada vez menos importância ao futebol do que a bobagens. Vocês vão querer escolher como eu vou comemorar um gol?"
Esse é o pior momento da era Mano Menezes, na segunda passagem dele pelo clube. Pior do que quando o time fracassou no Campeonato Paulista. Na época, o técnico ainda tinha moral, a ponto de a diretoria bancar uma reformulação no elenco em meio a disputa do Estadual.
O cenário hoje é diferente. Mano Menezes ganhou reforços como Elias, Jadson e Lodeiro. Os dois últimos não emplacaram. Pelo contrário: foram reservas na goleada que culminou na eliminação na Copa do Brasil. O contrato, que termina em dezembro, torna as coisas mais complicadas. Além disso, as eleições presidenciais marcadas para fevereiro de 2015 deixam o futuro ainda mais incerto.

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