Port Elizabeth - A sucessão de Dunga no comando da seleção brasileira está bem encaminhada. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, quer um treinador de boa aceitação popular para não ter dor de cabeça nos próximos quatro anos até a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Mano Menezes, técnico do Corinthians, tem a preferência de Teixeira e pode ser anunciado antes mesmo de 20 de julho. O presidente ficou satisfeito com o trabalho de Dunga, apesar da queda nesta sexta no Mundial da África do Sul.
''Todo mundo sabia que eu vim para ficar quatro anos na seleção'', disse Dunga 20 minutos depois da derrota do Brasil para a Holanda. E não quis falar mais sobre o seu futuro. Seu projeto é parar nos próximos seis meses para dedicar-se à sua família.
Mano sai na frente na corrida pelo comando da seleção muito mais pelo seu perfil do que pelo currículo. Não é um treinador polêmico, se mostra sereno. Tem bom trânsito com a imprensa e boa aceitação da torcida. A seu favor o peso do Corinthians. Bom lembrar que Andrés Sanchez, presidente do clube e chefe da delegação brasileira na África do Sul, se aproximou muito de Ricardo Teixeira nos últimos seis meses. Estão em sintonia perfeita. ''O sucessor pode vir lá pelos lados do Parque São Jorge. A CBF quer um nome bem popular para assumir a seleção'', diz uma fonte da Agência Estado muito próxima da seleção brasileira.
Luís Felipe Scolari, Leonardo e até Vanderlei Luxemburgo também estão no páreo. Felipão entra na sucessão pelo forte apelo popular. É o último treinador que deu um título mundial ao Brasil. Mas seu acordo com o Palmeiras pode inviabilizar a sua eleição.
Leonardo seria a surpresa. Tem o perfil do bom moço, boa relação com a mídia, e vem credenciado com o trabalho que realizou no Milan ano passado. É da geração do tetra em 1994, turma que tem o apreço do presidente da CBF. Poderia ser o comandante da nova geração do futebol brasileiro, assim como Dunga fez a transição de 2006 para 2010. Leonardo teria a missão de resgatar o futebol bonito da seleção, sem o pragmatismo de Dunga.
A situação de Luxemburgo é mais complicada. Explosivo, não tem aceitação de parte da mídia, sempre aparece em polêmicas e já não é unanimidade no País. A seu favor, o expressivo currículo nos clubes e a fama de ser um dos melhores técnicos do Brasil. Ele tem bom trânsito com o presidente da CBF, mas é dor de cabeça certa para o dirigente.
Queda de rendimento
Dunga culpou a queda de rendimento do Brasil no segundo tempo da derrota por 2 a 1 para a Holanda pela eliminação da equipe nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Depois de dominar o primeiro tempo e abrir o placar com Robinho, a equipe sofreu a virada na etapa final do duelo disputado na cidade de Port Elizabeth.
''Nós estamos tristes, trabalhamos por resultados diferentes, sabíamos que seria difícil conseguimos êxito. No primeiro tempo fomos melhores, dominamos, mas não conseguimos manter a mesma forma de jogar no segundo tempo'', lamentou Dunga. ''Não conseguimos manter a concentração e a forma de jogar. A Copa é decidida em 90 minutos e em detalhes, infelizmente não conseguimos nosso objetivo''.





EM PORT ELIZABETH

Holanda 2

Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Ooijer e Van Bronckhorst; De Jong, Van Bommel e Sneijder; Kuyt, Van Persie (Huntelaar) e Robben. Técnico: Bert Van Marwijk

Brasil 1

Julio Cesar; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto Silva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luís Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga

Árbitro: Yuichi Nishimura (Japão)
Estádio: Nelson Mandela Bay
Gols: Robinho, aos 9 minutos do 1º tempo; Felipe Melo (contra), aos 8, e Sneijder, aos 22 minutos do 2º tempo
Cartões amarelos: Heitinga, Van der Wiel, De Jong, Ooijer e Michel Bastos
Cartão vermelho: Felipe Melo
Público: 40.186 espectadores

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