MANÉ GARRINCHA - Filho sueco conhece família brasileira
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Michel Castellar<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Junho de 1959, o Botafogo excursiona pelo Norte da Suécia e, após uma de suas tradicionais 'escapulidas', o craque Garrincha saberia no ano seguinte que nascia aquele que hoje é o seu único filho homem vivo: Ulf Lindberg. Ontem pela manhã, aos 46 anos, o sueco desembarcou no Aeroporto Tom Jobim para conhecer a família brasileira e foi recepcionado por Rosângela e Márcia duas de suas dez irmãs.
Por ser fruto de um relacionamento furtivo, Lindberg foi rejeitado pela mãe biológica que o entregou para adoção. Já aos oito anos de idade, os pais adotivos revelaram ao sueco que ele era filho de um dos maiores craques do Brasil. E, mesmo sem conhecer até hoje a mulher que o gerou, Lindberg cresceu querendo saber do pai verdadeiro e de seus parentes brasileiros.
''Desde os 8 anos, sabia que era filho dele, mas ainda não estava preparado psicologicamente para vir ao Brasil. Nunca tive medo de conhecê-los, era uma questão emocional'', disse Lindberg. ''Mesmo longe, desde que comecei a ser procurado por jornalistas do meu país para entrevistas e até de outros lugares tive a noção da importância do meu pai.''
Para vir ao Rio, Lindberg aproveitou um pacote turístico especial, voltado para o futebol, com visitas ao Maracanã e aos clubes do Botafogo e Flamengo, proporcionados por uma agência sueca. A empresa tem por guia o escritor Fredrik Fkelund, responsável por documentar a visita, que em 2002 publicou o livro ''Samba Fotball'' e iniciou a amizade com o filho de Garrincha. ''Na ocasião, o Ulf me disse que queria muito conhecer seus parentes brasileiros'', contou.
E Lindberg começou a realizar o desejo ao receber o carinho das irmãs em sua chegada. Nem mesmo o fato de nunca ter conversado com Rosângela e Márcia foi empecilho para a emoção. No primeiro encontro, sem cerimônias, trocas de carinhos, abraços e beijos. A conversa ocorreu com a ajuda do ''intérprete'' Fkelund.
''Ele tem os olhos, o nariz e a boca do nosso pai'', disse Márcia. No sábado, Lindberg irá a Pau Grande, cidade natal de Garrincha, para conhecer as outras oito irmãs e provar pratos tradicionais brasileiros: feijoada e churrasco. No total, o craque brasileiro, que morreu em 1983, teve 15 filhos uma adotiva com seis mulheres. Destes, dois homens e duas mulheres já morreram.
O sueco, que já foi técnico de futebol, hoje vende cachorros-quentes em um quiosque na praça de Halmstad, na Suécia. Um de seus quatro filho, Martin, 16, atua como meia ofensivo nas divisões de base de um dos principais times de futebol da Suécia, o Halmstad.


