Mancini usou psicologia no Santos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Sanches Filho<br> Agência Estado 
Santos - Quem poderia imaginar que o Santos, assombrado em 2008 pela ameaça constante de rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro e que começou mal o Campeonato Paulista em 2009, chegaria às semifinais do Estadual. E ainda reverteria a vantagem do favorito Palmeiras logo no primeiro jogo. Nem o técnico Vagner Mancini, que há dois meses assumiu o comando de um grupo rachado, com brigas entre líderes.
O principal desafio era evitar o sofrimento da temporada passada. Mancini teve de se virar com os jogadores do elenco. Antes da vitória de virada por 2 a 1, no sábado à noite na Vila Belmiro, o próprio técnico não tinha o menor constrangimento em reconhecer que o Santos chegou às semifinais em patamar inferior ao de Palmeiras, São Paulo e Corinthians, todos com técnicos com mais de um ano de trabalho nos clubes.
Agora, Mancini não tem mais dúvida: o time está pronto até para ser campeão.''Os atletas entenderam que o Santos estava atrasado no plano tático e superaram essa desvantagem'', diz Mancini. ''Tão importante quando o resultado foi que houve entrega total dos jogadores durante os 90 minutos e isso me deixa satisfeito'', acrescenta o técnico.
Como não teve tempo para analisar detalhadamente o elenco santista ao assumir, ele não pôde pedir os reforços ideais para formar o time à sua maneira. O Santos ainda sente falta de dois alas, de um atacante de velocidade e de um armador experiente para acionar Kléber Pereira e cadenciar o jogo em algumas situações.
Com recursos humanos limitados, o treinador intensificou os treinamentos e passou a trabalhar o lado emocional dos jogadores. E os resultados têm sido satisfatórios. Antes de conquistar a vaga nas semifinais, Mancini motivou os jogadores com uma exibição do filme ''Desafiando Gigantes'' e momentos de descontração no Centro de Treinamento Rei Pelé.
''Não dá para exibir filmes antes de todos os jogos. Ficaria simples demais. Temos outras técnicas de motivação. E acho que funcionou porque vimos o Santos jogando bem, com entrega total em campo. Inclusive na parte da partida em que foi preciso pôr a alma em campo'', afirma.
Mancini não acredita que o Santos esteja bem próximo da vaga pelo fato de o Palmeiras ter um jogo difícil contra o Sport no meio de semana, enquanto o seu time ficará apenas se preparando. ''Isso nos dá uma certa vantagem, mas não significa muita coisa. O que decide mesmo é quando os dois times estão em campo e o jogo começa'', conclui o técnico do Santos.


