A França não fez seu agosto em junho com o Mundial, como se pensava. Quando a Copa do Mundo está entrando em seu último ato, antes de baixar a cortina, as dez cidades que a abrigaram começam a fazer contas.
Segundo as associações de comerciantes e artesãos das dez cidades sedes do Mundial, este grande evento foi sentido de maneira especial em bares, hotéis e restaurantes. Mas de maneira desigual, dependendo principalmente de sua localização.
Alain e Linda Koudech, donos de um restaurante em Marselha, terão de esperar tempos melhores para acertar suas contas. ‘‘Pensávamos que íamos trabalhar dia e noite e não há ninguém’’, disseram, embora precisando que em dia de jogo, ‘‘o movimento melhora muito’’. ‘‘Mas em média, não houve grande ajuda a nosso volume habitual de negócios’’, assinalaram.
Sem mundiais Menos complacente se mostra a proprietária de um restaurante, que não quis dar seu nome nem citar seu estabelecimento, denunciando uma queda de 20% em relação ao movimento habitual no período. ‘‘Não queremos mais Mundiais. Da próxima vez, que seja fora da França’’, gritou indignada, já que as perspectivas iniciais a levaram a contratar pessoal ‘‘e nem mesmo nossos fregueses habituais apareceram’’.
Quem se deu bem durante o Mundial foi Gabriele Zenou, proprietária do bar-restaurante La Camargue. ‘‘O futebol nos trouxe muita gente. Se pudesse ser sempre assim, seria fabuloso. No Mundial, duplicamos o volume de negócios que costumamos realizar em um mês de junho qualquer’’, explicou.
Para os hotéis, o Mundial também foi irregular. Beatrice Lebiez, diretora do Hotel Europeen, de duas estrelas, disse que nos dias de jogos, os hotéis ficaram cheios, ‘‘mas antes e depois, praticamente vazios’’.
E a razão é que os clientes habituais - participantes em congressos ou em reuniões de empresas ou administrações - ‘‘não tiveram coragem de vir, porque os preços aumentaram um pouco e em alguns casos exageradamente’’, reconheceu.
A esta altura do Mundial, também não são repetidos os erros do princípio, quando se alugava um quarto para o dia do jogo. ‘‘Agora, recusamos quem não vier para ficar por alguns dias’’, acrescentou.
Para o diretor do hotel Frantour, em pleno centro, Christian Gachie, ‘‘este junho foi melhor do que os anteriores’’, destacando ‘‘a qualidade dos preços e dos turistas, que gastam um pouco mais’’ que os clientes habituais.
Os que lucraram mais foram os hotéis e restaurantes do centro da cidade. Tanto em Paris como em Marselha, os torcedores vinham festejar a vitória ou ‘‘afogar’’ a derrota de suas equipes nos Champs Elysées ou no Velho Porto.
Com perdas Para o restante dos comerciantes e artesãos, as perdas em volume de negócios variam entre 20 e 30%, embora tenham começado a experimentar certa recuperação nos últimos dias.
Os cinemas também não resistiram à enorme oferta futebolística. Desde o dia 10 de junho, as diferentes redes de televisão estão oferecendo entre dois e três jogos diários. Em Marselha, a queda de público nas salas de projeção durante o Mundial é avaliada em torno de 60% em Aix-en-Provence e e 50 a 25% em Paris.
O temor de assaltos dissuadiu a poulação de ir ao centro, enquanto os torcedores de futebol preferiram instalar-se diante do televisor e comer pizza ou outro tipo de refeição rápida, para felicidade dos cofres das lanchonetes.
Os especialistas preferem relativizar estes primeiros resultados. ‘‘O verdadeiro retorno se medirá em termos de frequência turística nos próximos anos’’, graças à melhora da imagem das cidades que sediaram o Mundial, disse Claire O’Petit, presidente da associação de comerciantes e artesãos.
A associação considera principalmente positivos os investimentos em infra-estruturas, equipamentos e melhorias realizadas nas cidades do Mundial.

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