Maná do Mundial promove lucros de uns, mas traz prejuízos para outros
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sábado, 04 de julho de 1998
Agência Estado 
A França não fez seu agosto em junho com o Mundial, como se pensava. Quando a Copa do Mundo está entrando em seu último ato, antes de baixar a cortina, as dez cidades que a abrigaram começam a fazer contas.
Segundo as associações de comerciantes e artesãos das dez cidades sedes do Mundial, este grande evento foi sentido de maneira especial em bares, hotéis e restaurantes. Mas de maneira desigual, dependendo principalmente de sua localização.
Alain e Linda Koudech, donos de um restaurante em Marselha, terão de esperar tempos melhores para acertar suas contas. Pensávamos que íamos trabalhar dia e noite e não há ninguém, disseram, embora precisando que em dia de jogo, o movimento melhora muito. Mas em média, não houve grande ajuda a nosso volume habitual de negócios, assinalaram.
Sem mundiais Menos complacente se mostra a proprietária de um restaurante, que não quis dar seu nome nem citar seu estabelecimento, denunciando uma queda de 20% em relação ao movimento habitual no período. Não queremos mais Mundiais. Da próxima vez, que seja fora da França, gritou indignada, já que as perspectivas iniciais a levaram a contratar pessoal e nem mesmo nossos fregueses habituais apareceram.
Quem se deu bem durante o Mundial foi Gabriele Zenou, proprietária do bar-restaurante La Camargue. O futebol nos trouxe muita gente. Se pudesse ser sempre assim, seria fabuloso. No Mundial, duplicamos o volume de negócios que costumamos realizar em um mês de junho qualquer, explicou.
Para os hotéis, o Mundial também foi irregular. Beatrice Lebiez, diretora do Hotel Europeen, de duas estrelas, disse que nos dias de jogos, os hotéis ficaram cheios, mas antes e depois, praticamente vazios.
E a razão é que os clientes habituais - participantes em congressos ou em reuniões de empresas ou administrações - não tiveram coragem de vir, porque os preços aumentaram um pouco e em alguns casos exageradamente, reconheceu.
A esta altura do Mundial, também não são repetidos os erros do princípio, quando se alugava um quarto para o dia do jogo. Agora, recusamos quem não vier para ficar por alguns dias, acrescentou.
Para o diretor do hotel Frantour, em pleno centro, Christian Gachie, este junho foi melhor do que os anteriores, destacando a qualidade dos preços e dos turistas, que gastam um pouco mais que os clientes habituais.
Os que lucraram mais foram os hotéis e restaurantes do centro da cidade. Tanto em Paris como em Marselha, os torcedores vinham festejar a vitória ou afogar a derrota de suas equipes nos Champs Elysées ou no Velho Porto.
Com perdas Para o restante dos comerciantes e artesãos, as perdas em volume de negócios variam entre 20 e 30%, embora tenham começado a experimentar certa recuperação nos últimos dias.
Os cinemas também não resistiram à enorme oferta futebolística. Desde o dia 10 de junho, as diferentes redes de televisão estão oferecendo entre dois e três jogos diários. Em Marselha, a queda de público nas salas de projeção durante o Mundial é avaliada em torno de 60% em Aix-en-Provence e e 50 a 25% em Paris.
O temor de assaltos dissuadiu a poulação de ir ao centro, enquanto os torcedores de futebol preferiram instalar-se diante do televisor e comer pizza ou outro tipo de refeição rápida, para felicidade dos cofres das lanchonetes.
Os especialistas preferem relativizar estes primeiros resultados. O verdadeiro retorno se medirá em termos de frequência turística nos próximos anos, graças à melhora da imagem das cidades que sediaram o Mundial, disse Claire OPetit, presidente da associação de comerciantes e artesãos.
A associação considera principalmente positivos os investimentos em infra-estruturas, equipamentos e melhorias realizadas nas cidades do Mundial.


