Malutrom, o inimigo número 1
Por mais bem que se faça ninguém passa por esta vida sem ter conquistado no mínimo um inimigo. Todo mundo tem seu inimigo público número um, em particular. Muitas vezes esse inimigo é conquistado, por assim dizer, gratuitamente. Sem qualquer razão aparente. Você encontra um camarada na rua ele olha para você e sorri. De repente, sem mais nem menos, você acha que o sorriso foi irônico, falso. Pronto, mesmo que ele nunca lhe tenha feito qualquer coisa reprovável, o mal está feito.
Há também, é óbvio, os inimigos adquiridos com o mais justo motivo. No futebol há inimigos célebres como Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Vasco, Londrina e Grêmio Maringá, Coritiba e Atlético. Nada pior que perder o jogo e aguentar as gozações da torcida adversária. Dor que se estende até o próximo confronto. E quando a derrota não acontece no justo campo de batalha que é o gramado? Quando a derrota acontece nos bastidores onde não vale a habilidade dos jogadores, a estratégia do técnico, os gols do artilheiro?
Aí o sapo que se tem de engolir desce pela garganta com as patas abertas, provocando marcas que dificilmente se cicatrizam. O torcedor do Londrina está assim. Elegeu seu novo inimigo número um. Ele atende pelo nome de Malutrom.
No gramado, os dois times se enfrentaram poucas vezes. O Tubarão ganhou e perdeu. Mas não houve, na derrota, qualquer sentimento de ira. Fora apenas mais um jogo contra um adversário que não lhe provocava nenhuma reação estomacal.
A atitude extracampo da equipe de São José dos Pinhais de apelar para o tapetão para ficar com a quarta vaga na Copa Sul Minas mudou tudo.
Ontem a torcida do Tubarão acompanhou com atenção a partida entre a Tuna Luso, de Belém e o Malutrom, pela repescagem da segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A maioria torcendo contra o time paranaense. A vitória da Tuna Luso por um a zero foi considerada péssima. A torcida esperava que o inimigo número um fosse goleado.
- Cícero Afonso da Silva, dirigente que bancou o Londrina no primeiro semestre e ajudou no segundo não deve permanecer no clube. Não há consenso sobre o nome dele entre os demais dirigentes.
- Depois que a CBF afinou, virou moda entrar na Justiça comum para paralisar competições. Ontem foi a vez do ABC, do Rio Grande do Norte, que quer parar a repescagem da série B. Definitivamente virou casa de mãe Joana.
- Quando o Racing que disputava a final do campeonato argentino com o Velez fez o primeiro gol da partida de ontem, o jornalista Alberto Macedo comemorou. Santista doente, dizia que se até o Racing, que estava há 35 anos na fila, podia ganhar o título é sinal que o Santos tem chance. Para quem está na longa fila de espera, tudo serve de motivação, até final de campeonato argentino.





