Odair StraliottiA estréiaHélio Torezan e a filha Estefani: pela primeira vez no CasteloOs eventos de motocross no Castelo Eldorado podem ser divididos em duas partes: antes e durante as provas. E, no último domingo, durante a 23ª edição do GP que leva o nome do local, não foi diferente. Enquanto a disputa não começava, a fumaça (das churrasqueiras...) tomava conta do setor do bosque. Gente de todo o tipo estava presente. Aqueles que foram em turma pela primeira vez, famílias inteiras, o pessoal que voltou para relembrar os bons tempos - havia seis anos o evento não era realizado - e muita, muita mulher bonita.
Odair StraliottiO retornoSidney Rogério, veterano de 1992: elogios à organização
Logo na chegada - o Castelo fica em uma fazenda em Marilândia do Sul (Norte do Estado) - era difícil caminhar: todo o local estava ocupado por carros e churrasqueiras. ‘‘São os malucos’’, disse um cara que passava pelo local. Se são ou estavam malucos, beleza ou não, o certo é que a zoeira tomava conta do bosque. Imaginem mais de 200 carros, a maioria com o som no último volume. Gente dançando, pulando, gritando e outros dormindo como se o silêncio fosse total. Esse era o clima no Castelo, onde a maioria acha que tudo é possível - e, às vezes, parece que é mesmo.
Numa boa - No meio do pessoal agitado também estavam famílias inteiras que conviviam numa boa com o barulhaço. Afinal, ninguém estava ali para um dia de meditação. O negócio era agitar mesmo. E muita gente nem assistiu às provas. Depois de muitas e muitas latas de cerveja, alguns dormiam onde estavam na grama, encostado nos carros ou mesmo no chão de terra.
Odair StraliottiTeje preso!Quem não sabia curtir numa boa ‘era convidado’ a se retirarEntre os presentes, tinha quem já estava muito acostumado com isso, como Walter Trovatti, proprietário da danceteria Hurricane, em Jandaia do Sul. Com uma caminhonete cabine dupla e um som que dava para se escutar a quilômetros, Walter se deliciava com a música e com a cerveja gelada que ele levou em um freezer. ‘‘Venho aqui desde 1984, logo quando as provas começaram a ser realizadas. Muita gente vem para cá para se divertir, ficar ‘numa boa’ e fazer amor. Já para mim isso aqui é uma terapia. Quando estou chegando já digo adeus ao estresse.’’
Mais calmo e chamando a atenção pelo visual - roupas pretas, botas e bandanas - um grupo estava na expectativa. Era o pessoal do Moto Clube de Sertanópolis, que foi para o evento pela primeira vez. Segundo Hélio Torezan, o ambiente estava excelente. ‘‘Isso é maravilhoso e o que destoou um pouco foram os preços dos ingressos e dos lanches. No mais, tudo bem’’, disse Hélio, que foi com a esposa, três filhos e uma turma de amigos.
Odair StraliottiViagem no tempoO pentacampeão de motocross Marco Usso com a filha Ana BeatrizO apucaranense Sidney Rogério - que esteve presente em 92, no último ano de prova antes da reabertura do Castelo - estava empolgado com o agito. ‘‘A organização agora está muito melhor. A distribuição dos caminhos foi muito boa. O evento vai ser sensacional, afinal o Castelo é o Castelo’’, dizia. Já a estudante londrinense Isamaia Caetano, que descansava no bosque, estava na expectativa. ‘‘Não vejo a hora de começar a prova.’’
Viagem no tempo - Quem estava viajando no tempo era o ex-piloto Marco Antônio Usso, 31 anos, cinco vezes campeão paranaense de motocross. Afastado das competições desde 1991, quando sofreu um acidente em uma prova em Santa Catarina, que o deixou paraplégico, Usso ficou muito emocionado com o evento, do qual participou várias vezes. ‘‘Encontrei muitos amigos que correram aqui na década passada e o assunto foi as grandes provas aqui realizadas. Muitos trouxeram até fotos daquela época’’, contou.
Para Usso, que hoje é empresário no ramo de motocicletas em Apucarana, este tipo de prova tem de ter sequência, já que, segundo ele, traz pilotos de renome nacional e aqueles que estão no início da carreira. E sua felicidade foi geral pois o piloto que ele patrocina, Wilson Rossati Jr., foi o destaque na categoria Intermediária. Ele caiu na primeira volta e, depois de uma prova de recuperação, venceu a disputa. ‘‘Sempre dei apoio a ele, acompanho os treinos e sei que ele vai longe’’, observou Usso.
Como muita gente chegou de manhã ao local e as provas começaram às 14h30, é certo que algumas confusões iriam acontecer, principalmente no local onde a aglomeração era maior. Vez ou outra a Polícia Militar tinha de intervir e o camburão saía lotado, mas apenas um ficou detido. Os demais eram soltos na entrada do Castelo.
Para os organizadores do evento, Rui Escudero e Chafic Kallas, o saldo foi positivo. Após a prova, Chafic calculou o público entre seis e sete mil pessoas, uma vez que, além dos ingressos vendidos, muitos convites foram distribuídos. ‘‘Ainda bem que não aconteceu nada de grave durante a prova e o público se divertiu bastante’’, disse Kallas. Que concluiu: ‘‘O Castelo é o Castelo. Quem vem uma vez quer voltar. Quem não veio vai querer vir no próximo’’.

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