Maldonado desperta desconfiança nos são-paulinos
Maldonado desperta desconfiança nos são-paulinos15/Mar, 18:24 São Paulo, 15 (AE) - O zagueiro chileno Maldonado, um desconhecido para Levir Culpi, chegou ao São Paulo sob o olhar de desconfiança do treinador, que parece apreensivo quanto ao futuro do novo reforço. O próprio jogador, de apenas 20 anos, ciente das possíveis cobranças no clube, não esconde o medo de decepcionar, apesar de ser titular na seleção principal de seu país. Tanta preocupação deve-se ao fato de o Tricolor não ter tido tanta sorte nas últimas contratações de estrangeiros, basicamente sul-americanos, ao contrário do passado. Nos anos 40 e 50, uma legião de argentinos brilhou no Morumbi: Renganeschi, Sastre, Poy, Albeja e Moreno. Num passado mais recente, uruguaios como Pedro Rocha, Forlan e Daryo Pereira também ficaram marcados na história do clube. Na atual década, contudo, os "forasteiros" foram um fracasso. O paraguaio Isasi os chilenos Sierra, Mendoza e Neira, o equatoriano Carabali e o colombiano Aristizábal são alguns exemplos. Até os uruguaios, antes ídolos, não foram mais os mesmos. Rubem Furtenbach e Matosas não deixam dúvidas. "Hoje em dia, muitos estrangeiros ficam deslumbrados com o futebol brasileiro, um centro de futebol tão importante quanto a Europa", afirmou José Dias, diretor de Futebol do São Paulo. Para o chileno Roberto Rojas, preparador de goleiros do clube, alguns atletas sofrem com a adaptação no país, longe da família. Rojas enfrentou tal experiência, em sua discreta passagem pelo Tricolor. Em alguns casos, a grande expectativa em relação a um atleta estrangeiro pode ser fatal. Sierra, por exemplo, chegou ao Morumbi de helicóptero, ovacionado pela torcida num show pirotécnico e sendo chamado de o "Hagi chileno", em alusão ao craque romeno. Custou US$ 1,2 milhão aos cofres do São Paulo. Por causa de sucessivas contusões acabou voltando ao Chile mais cedo, com o passe desvalorizado. Por Aristizábal, o clube pagou US$ 1,5 milhão. O colombiano agradou nos primeiros jogos, mas, depois, foi esquecido. O passe do atacante, avaliado em US$ 2,5 milhões, ainda pertence ao clube. O difícil é encontrar um comprador. Aristizábal está no Atlético, de Medellín. O passe de Isasi, eterno reserva no time, foi mais modesto: US$ 350 mil. O de Carabali, fixado em US$ 600 mil pelo Barcelona de Guayaquil, nem chegou a ser comprado. O equatoriano abandonou o clube com o contrato ainda em vigência. Com tantas histórias de insucesso, Maldonado já imagina o que o espera pela frente. "Terei de me esforçar muito para apagar essa imagem", reconheceu. O São Paulo, por sua vez, continua insistindo na "peneira" de estrangeiros. Recentemente, o hondurenho Arnold Cruz e o argentino Avalos fizeram testes no clube. Foram reprovados. A esperança está nos pés do jovem chileno.





