Malásia realiza o GP mais difícil do ano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de março de 2001
Agência Estado De Sepang, Malásia 
Os pilotos e os projetistas são unânimes em afirmar: o GP da Malásia é o mais difícil do campeonato. O calor arrasador, combinado com as características do excelente circuito de Sepang, transforma a prova da madrugada de amanhã na mais desgastante de todas para os pilotos, bem como submete os carros a esforços maiores que em todas as demais pistas do calendário. A largada da segunda etapa do Mundial será às 4 horas (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da Rede Globo. O grid da corrida seria definido nesta madrugada.
Eu estou até suado, o que é muito raro, disse Michael Schumacher, ontem, depois do treino livre, realizado sob temperatura de 34 graus. Quando paramos nos boxes, o calor que sobe dos radiadores e do motor eleva a temperatura do cockpit, onde estamos sentados, até cerca de 50 graus, diz Jarno Trulli, da Jordan, o mais rápido nos treinos de ontem. A condição que vivemos aqui faz do GP da Malásia muito mais uma prova de resistência que de velocidade, analisa Mika Hakkinen, da McLaren, preocupado com o MP4/16, modelo que o fez sofrer um acidente na Austrália.
O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, deve estar se sentindo um pouco aliviado com a sensível redução da escalada da velocidade em Sepang. Depois que em Melbourne a Fórmula 1 foi quase quatro segundos mais veloz que no ano anterior, na Malásia essa diferença ficou dentro do que havia planejado a entidade, quando alterou o regulamento, no ano passado, prevendo já a disputa entre Bridgestone e Michelin. Se a melhora dos tempos continuar na casa de um segundo, como em Sepang, a FIA não irá alterar as regras técnicas do campeonato, a fim de conter a velocidade dos carros.
Mas há quem acredite que já em Interlagos as diferenças voltarão a ser assustadoras. No GP do Brasil, por ser no início do ano, os pneus não estavam tão desenvolvidos como na Malásia, a última da temporada, lembrou Luciano Burti, da Jaguar. Acredito que em São Paulo não será diferente do que foi em Melbourne, prevê. A pole position em Interlagos deverá chegar até a casa dos 1min11s, enquanto em 2000 Mika Hakkinen largou na pole com 1min14s111.
O retrospecto da Ferrari na prova, duas vitórias em duas edições do evento, associada à fase de Michael Schumacher de cinco vitórias consecutivas no Mundial faz do líder do Mundial o favorito para, mais uma vez, vencer a competição. Mas como o próprio alemão declarou ontem, o GP da Malásia é o mais imprevisível do calendário.
Primeiro é preciso pensar em chegar ao fim da corrida, depois ver a sua colocação. Rubens Barrichello espera desta vez largar bem (ele treinou a manobra em Fiorano semana passada). Nosso carro está muito bom, comentou ontem, quando treinou com o volume de gasolina que utilizará amanhã à noite. Os três outros brasileiros na Fórmula 1, Luciano Burti, da Jaguar; Enrique Bernoldi, Arrows; e Tarso Marques, Minardi, diferentemente de Barrichello, não podem pensar em vitória, mas apenas em concluir a corrida.


