Sepang, Malásia - No momento em que for dada a largada para o Grande Prêmio da Malásia, na madrugada de sábado para domingo, às 4 horas (horário de Brasília), quase 169 horas terão se passado desde que Lewis Hamilton cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na Austrália.
Se o curto intervalo entre a abertura do Mundial de F-1 e sua segunda etapa não foi bom para as equipes, que precisaram ser rápidas para transportar seus equipamentos e não tiveram chance de fazer nenhuma mudança significativa nos carros, a correria pode ao menos servir para responder a perguntas que ficaram no ar.
A principal delas, se o fato de só seis carros terem completado o GP australiano teve relação com o fim da ajuda eletrônica ou se o calor inesperado e a pista suja foram os culpados.
Com tantos acidentes e quebras em Albert Park, outra dúvida é qual a situação real das equipes. A Ferrari, que viu seus dois carros ficarem no meio do caminho com falhas no motor, garante que será competitiva na Malásia. ''Espero que nosso campeonato comece de verdade agora, porque aquilo parecia sonho, não a realidade'', disse Felipe Massa, pole em 2007 - o grid do GP seria definido nesta madrugada.
BMW, Renault, Williams, Honda. Todas esperam ansiosas também para saber onde estão em relação a McLaren e Ferrari, que mostraram estar mais fortes na pré-temporada. ''Sabemos que na F-1 as coisas não mudam muito em um ano'', falou Fernando Alonso, quarto na semana passada. ''Sei que não lutaremos por vitórias nem pelo campeonato, mas ainda temos uma boa margem de melhora, diferentemente de McLaren e Ferrari, por exemplo, que já estão no limite do desenvolvimento'', completou o espanhol da Renault.
O clima de Sepang, porém, pode ''estragar'' tudo. A previsão é de chuva na hora da prova. Algo nada animador para os 16 pilotos que vêem na Malásia uma segunda chance para começar realmente o Mundial.
Hamilton
Poucas coisas estão claras na F-1 neste início de temporada. Novas regras, fim da eletrônica, pilotos em equipes diferentes, novas forças na categoria. Mas há algo, no entanto, que dia após dia se firma como certeza no paddock. Lewis Hamilton.
Questionado em 2007 por ter sucumbido à pressão e deixado escapar o título em sua temporada de estréia, o inglês começa a mostrar que aprendeu a lição. ''Depois de uma temporada longa, é preciso um tempo para descansar e começar a refletir sobre as coisas que você fez no ano anterior'', disse ele na Malásia. ''Mas começo o ano em um patamar muito mais alto do que o que eu estava em 2007. Além disso, minha confiança também aumentou.''
Mas não foi só a confiança de Hamilton que mudou de status. Seu jeito está diferente. Menos descontraído, assumiu a responsabilidade de ser primeiro piloto da McLaren. Suas declarações já não são mais tão espontâneas e parecem ter sido cuidadosamente tiradas de algum manual. Muitas vezes soam até como arrogantes.
''Tive um final de semana ótimo na Austrália, mas não foi perfeito. Não fiz a volta mais rápida'', disse Hamilton, sentado no ar condicionado do escritório de sua equipe em Sepang, enquanto Heikki Kovalainen, seu companheiro, atendia aos repórteres tentando se abrigar do sol embaixo de uma árvore. ''Quero repetir o desempenho na Malásia'', concluiu o inglês.

mockup