onde funciona o centro de referência nacional de controle e combate da malária, para o caso de emergências. "Se constatarmos algum caso no grupo, a primeira providência será a remoção imediata do paciente para o Hospital da UFRJ", continuou Camargo. A delegação levará para a Nigéria 90 latinhas de spray, com inseticida, e medicamentos preventivos contra a malária, não encontrados no Brasil. O médico lamentou o horário dos jogos do Brasil na primeira fase do Mundial. "Serão no início da noite, com exposição grande ao mosquito." Até as roupas dos membros da delegação e o uniforme dos jogadores receberão uma quantidade de repelente toda vez que alguém deixar o hotel. Não há vacina para combater a ação do anopheles. Mas os brasileiros estão tomando um medicamento preventivo - o mefloquin, inibidor da ação do plasmodium, o vetor da doença. O tratamento continuará até quatro semanas depois da volta ao Brasil. Em alguns casos, a malária pode levar uma pessoa à morte em três dias. "Vamos para uma guerra e, quando convocados, não sabíamos disso", declarou Thiago, do Palmeiras. Os membros da delegação receberam 12 vacinas para a viagem de amanhã à noite: duas obrigatórias - contra a febre tifóide e a febre amarela - e dez recomendadas: para evitar hepatite A e B, meningite A, B e C, poliomielite, difteria, tétano, coqueluche e sarampo. No relatório da Fifa, há também ressalvas sobre o risco de dengue, cólera, e de contato com o vírus ebola, que pode causar hemorragia generalizada. Da lista de recomendações constam os cuidados com o uso da água - só se poderá escovar os dentes com água mineral e os jogadores estão proibidos de comer frutas cruas e beber sucos. "Eles só vão poder tomar refrigerantes e água mineral se as garrafas forem abertas na nossa frente", disse Camargo. Os banhos de piscina também estão proibidos. "Eu me preocupei mais quando meu colega de clube, o nigeriano Zepgo, falou que lá está muito perigoso", disse o zagueiro Fábio Bilica, que joga no Venezia, da Itália.Por Silvio Barsetti Rio de Janeiro, 25 (AE) - Uma viagem marcada pelo medo e a incerteza. É assim que a seleção brasileira sub-20 embarcará amanhã à noite para a áfrica do Sul, de onde seguirá para a Nigéria, local de disputa do Mundial da categoria, a partir de 5 de abril. No relatório confidencial do Comitê Médico da Fifa, enviado às confederações de futebol dos países inscritos na competição, há um alerta a todos sobre a ameaça provocada por uma endemia de malária na Nigéria. A delegação brasileira tomará várias medidas para impedir o contato com o mosquito anopheles, o transmissor da doença. "É uma situação muito difícil, todos nós estaremos expostos e há riscos", disse o médico da seleção, Adilson Camargo. Durante a permanência do grupo na Nigéria, jogadores e integrantes da comissão técnica dormirão sob telas mecânicas, impregnadas de um inseticida tópico, e terão de treinar com calças e camisas de manga comprida - a temperatura média naquele páis, em abril, é de 35 graus. Haverá também um toque de recolher diário, previsto para às 17 horas - segundo informações do relatório, o anopheles costuma agir no fim da tarde. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reservou leitos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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